Família

Ah Mãe de Santo, eu não vou não, esta minha irmã não gosta de mim! Fulano, eu não quero saber de ir nesta obrigação não, não vou com a cara de beltrana! Ah, hoje? Eu? No Ilé? Jamais, esta muito frio e ciclano não merece que eu ajude.

“A base do candomblé é a família.”

Família. Mas afinal o que é família? Família é a unidade básica da sociedade, formada por indivíduos com ancestrais em comum e/ou ligados por laços afetivos.

O mesmo se repete à nossa família do candomblé. Temos ancestrais em comum, temos irmandade e afetividade de sobra não é mesmo?

Houve uma época no candomblé, isso há aproximadamente 20, 25 anos atrás, em que as famílias se reuniam para ajudar o seu próximo, pegavam uma causa e abraçavam juntos, do inicio ao fim. Filhos de santo, irmãos de santo, quando um outro irmão se recolhia para tomar suas obrigações, se doavam para o mesmo, corriam pra roça, faziam seus esforços, não tinha frio, não tinha chuva, não tinha nada que impedisse nosso amor e dedicação aos Òrìsàs e ao seu próximo. Este era o real laço de irmandade, o real Asè. Sim, Asè, porque o asè é composto de história, de vivência, de amor. Hoje eu faço por você, amanhã você faz por mim, somos todos iguais perante Òrìsà. Não importa se você é uma pessoa graduada dentro da religião, se possui seu posto hierárquico ou se é um abiyan que vai passar por seu primeiro bori. Todos somos iguais. A hierarquia existe para a organização, para mostrar o respeito, não para sermos maior que ninguém.

Onde isso se perdeu? Eu não sei, mas o que vejo hoje são as pessoas dentro do candomblé olhando única e exclusivamente para os seus propósitos particulares, ou apenas para aqueles que são mais próximos.

Precisamos refletir sobre isso, somos todos um, somente entendendo este conceito de família é que podemos dizer que fazemos parte de um núcleo extenso chamado Candomblé, chamado Família de Asè. Só existe esta forma para manteremos o candomblé vivo.

Vamos fazer pelo próximo, sem olhar a quem, para que o mesmo faça por nós. Gentileza só pode gerar gentileza, então seja gentil com o seu próximo dentro de sua casa de candomblé, e então comece a provar a si mesmo, que nos temos como irmãos, desta forma, sua casa de candomblé se tornará um ambiente agradável para a inclusão familiar.

Vamos cultuar mais Òrìsàs e suas vontades, vamos cultuar e servir aos nossos ancestrais, vamos seguir as determinações que nossos Òrìsàs nos deram, nossa missão. Vamos cultuar menos pessoas! Vamos nos socializar! Vamos realmente sentir o outro, vamos nos incluir como família! Vamos ser do Candomblé!

Olorun a gbe wa o Papo de Esteira

 

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Ciúme

O Ciúme, também chamado de “Okolory” pelo Povo do Santo é um “Ajogun poderoso” que pode destruir uma casa de axé, trazendo transtornos incalculáveis para toda comunidade. O que alimenta o ciúme não é o amor, mas sim o sentimento de não ser amado, preterido. O ódio de não ser querido imediatamente busca um rival que compete com o ciumento pela propriedade do objeto amado em questão e sempre buscando uma posição privilegiada além do que já possui. O Okolory sofre muito com angustia, tristeza, mau-humor, insatisfação, frustração, buscando sempre motivos para justificar os seus ciúmes e quando encontra, tudo fica menos angustiante, todavia já provocou inúmeros conflitos. O comportamento de um ciumento num terreiro de Candomblé é tudo ou nada, nunca estão satisfeitos com o sua posição na rígida hierarquia do Axé, deixa de cumprir sua função para criticar a função do outro, sem se dar conta do seu delírio psicótico destrutivo, fruto da sua imaginação. Acima de tudo o ciúme é uma situação crônica, que vai crescendo a níveis insuperáveis e incuráveis na sua maioria, por não serem considerados pelo Povo de Santo como um Ajogun. O Sacerdote tem que compreender que não existe ciúmes normais em um Terreiro de Candomblé, pois esta energia é danosa e prejudicial para todos, não se pode descuidar deste Ajogun tão poderoso, entendendo que o ciúme é uma loucura, podendo causar inúmeras tragédias, inclusive a MORTE. Muito Axé Hoje e Sempre.

Fonte: Bàbá Ominire.

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Sacrifício

Sacrifício significa que qualquer coisa que se deseja nessa vida, requer o abandono de outra.
São as escolhas que se precisa fazer para conseguir seguir o caminho ao qual está predestinado.
A vida é um processo de dar e receber constante. E tudo gira em torno de sacrifícios. A maior forma de sacrifício é o Tempo. Sacrificar seu tempo, é sacrificar vida, dinheiro, paciência, trabalho. É abrir mão da família, do laser, do descanso, do prazer, da saúde…
Muitos não percebem que no plano espiritual, assim como no físico, requer algum tipo de dar e receber. Dentro da visão do mundo africano tradicional, você é o maior responsável pela sua melhoria. Se quer mudar sua condição, precisa fazer o sacrifício. Toda forma de sacrifício lhe impulsiona para frente.
Mesmo quando se está fazendo caridade ou doação, está se sacrificando em prol do outro. Quando você se sacrifica, se edifica com bases melhores, mais sólidas e mais seguras.
O ser humano se sacrifica, desde o dia em que é fecundado. Porque nesse dia, durante a corrida dos espermatozóides, aquele que chega primeiro, que mais se sacrifica e se esforça é o vencedor, e o prêmio é a vida. Após ser fecundado, precisa crescer, e aí nessa fase, tem o sacrifício físico da mãe, que carrega e alimenta o bebê durante 9 meses. Depois vem o nascimento, que é um sacrifício, pois é preciso abrir mão do conforto e segurança da barriga da mãe, para vir ao mundo. Aí então, vem o sacrifício de crescer e aprender, e assim por diante…
Mesmo aqueles que não fazem nenhum esforço, com certeza, tiveram pessoas que se sacrificaram para que ele estivesse ali, naquele momento, ocupando aquele lugar.
Os pais se sacrificam para dar o melhor para seus filhos, o professor para ensinar o melhor para seus alunos, o sacerdote, sacrifica seu tempo para seus fieis. Sempre, em todos os minutos, no mundo, existe alguém fazendo algum tipo de sacrifício.
E para quê tanto sacrifício ? Sempre é questionado !
Com certeza, todo esse sacrifício, se transforma em louros, em bem estar para a vida, para a evolução como ser humano. Quando se sacrifica em prol de outra pessoa, é preciso faze-lo com o coração, porque ter boas ações com o próximo, é se aproximar do Divino.
E a recompensa que se tem com tudo isso é o reconhecimento do alto, porque será merecedor de respeito.
Sacrifício é todo ato efetuado com o coração, sem esperar nenhum tipo de remuneração por isso. É estar fazendo pelo outro e consequentemente, por si mesmos.
Quando você estiver preocupado com os problemas e tentar encontrar a solução, com certeza será preciso sacrificar para que as coisas aconteçam a seu favor. Se você não der o primeiro passo em busca do que quer, se não sacrificar pelos seus objetivos, com certeza, ninguém fará por você.
Quando você fizer suas escolhas na vida, lembre-se que é preciso, sempre, abrir mão de alguma outra coisa, e com certeza terá que arcar com as conseqüências dessas escolhas, nesse momento você estará se sacrificando.
Quando acontecem as mudanças no dia a dia, sempre é muito difícil, pois toda mudança, gera alguma resistência. Para que as coisas mudem, é preciso se sacrificar, somente assim a mudança realmente acontece.
O sucesso é um ponto que você sempre quer alcançar, mas não é algo que aconteça da noite para o dia, é um caminho árduo que deve ser construído devagar e com muito sacrifício. Não há sucesso sem sacrifício, se você quer chegar ao topo, se você quer alcançar grandes conquistas, é preciso sacrificar-se muito. É a lei da natureza !
Seu Sacrifício pessoal é o passo que você deve dar para alcançar seus desejos, porque cada sacrifício tem um prêmio muito especial.
Pense naqueles que estudam; noites sem dormir e abstinência de diversão, naqueles que trabalham; para o sustento de sua família ou para uma posição melhor, todos eles se sacrificam por algo ou por alguém.
Pense naqueles que se dedicam ao outro; noites sem dormir, dedicação a estudos; para o bem do próximo, para a elevação espiritual, e para o seu próprio bem; pense no que você está fazendo neste momento; e se pergunte onde está o seu sacrifício ? Sacrificar-se pelo Amor Universal de Deus, sempre terá o seu reconhecimento e recompensa, e isso é algo que ninguém pode tirar de você.
O sucesso nunca será o resultado do acaso, porque não é mágica ou sorte, mas o trabalho árduo do sacrifício e do nível de entusiasmo.
O sacrifício é a porta de entrada para o sucesso, para o mundo e para a vida. A decisão de se levantar e seguir em frente atrás de suas melhorias e objetivos, é o que te levará, sempre, ao Sucesso.
Trabalho de pesquisa:
por Erelú Iyá Òsún Funké, Iyanifá Fun Mi Lolá
(Fatima Gilvaz)

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10 dicas para manter sua harmonia com o templo religioso

1- VAI PARA O TERREIRO?
Leve sua roupa limpa, passada e vá com amor…
2- NÃO PODE IR AO CULTO?
Justifique sua ausência.
3- NÃO PODE AJUDAR FINANCEIRAMENTE?
Pergunte se há outra forma de contribuir…
4- CHEGOU A SEU TERREIRO?
Se vista, vá para seu lugar e permaneça em silêncio…
5- OUVIU FOFOCAS?
Saia de perto e vá procurar algo de útil para fazer…
6- OFENDERAM-TE?
Procure o (a) Dirigente e lhe conte o acontecido…
7- SEU DIRIGENTE NÃO LHE DEU A ATENÇÃO MERECIDA?
Diga a ele (a) não aos outros…
8- UM IRMÃO (Ã) DE FÉ PRECISA DE AJUDA?
Se puder fazer algo faça, se não puder não atrapalhe…
9- NÃO ESTÁ MAIS SATISFEITO EM SEU TERREIRO?
Diga somente a quem de fato possa te ajudar seu Dirigente…
10- QUER SER FELIZ DENTRO DA TEMPLO?
Respeite a todos, ajude os mais novos e confie na espiritualidade…
Autor desconhecido.

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Isefá

É impossível para um homem aprender aquilo que ele acha que já sabe.
É possível para um homem aprender quando ele se coloca na condição de aprendiz.
Humildade, disciplina e amor, conjunto perfeito para um bom aprendizado.

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Dia 10 de maio de 2016

Sabedoria de Ifá

Ifá diz:
“Quando uma perna vai adiante a outra, obrigatoriamente, a segue. o pai comanda, o filho segue atrás dele.”(Òfún méjì)
De uma coisa podemos ter certeza, de nada adianta querer apressar as coisas! Tudo vem ao seu tempo, dentro do prazo que lhe foi previsto.
Mas a natureza humana não é muito paciente.
Temos pressa em tudo e aí acontecem os atropelos do destino, aquela situação que você mesmo provoca, por pura ansiedade de não aguardar o tempo certo.
“Òfún Meji nos ensina a honrar nosso sábios, respeita-los e receber deles os ensinamentos que nos são necessários para o bom viver.”
As pessoas passam pelos mesmos momentos que as outras.Todos nós.
Só que em tempos diferentes. Enquanto algumas já viveram determinados problemas, outros começam, isto é um círculo, a vida. É como se a vida fosse uma bola onde nós vamos sem muitas vezes sentir, passando por cada pedaço dessa bola. E em cada pedaço,existe um destino, onde a gente poderá parar e senti-lo. Sentir e seguir. Experimentar e desistir.
E vai assim, dando sequencia à vida!
Mas todos nós que estamos dentro dessa bola iremos passar por tudo que o outro já passou, por isso as coincidências.
Ninguém passa por momentos únicos e exclusivos que vieram só para nós apenas para nós, sempre existirá mais alguém que já passou por onde caminhamos.
“Isso é o senso moral da vida, aceitar conselhos daqueles que um dia passaram pelo mesmo caminho, é ser nobre para com a vida.”
“Não ergas alto um edifício sem fortes alicerces, se o fizeres viverás com medo.”
Òfún méjì também chamado de Órángùn é um odù de suma importância. Tanto é verdade que toda vez que o mesmo comparece em uma consulta oracular ele é saudado com Epá Odù sinalizando assim sua senioridade, envergadura e respeito. Seu grau de pureza é imenso e é preciso muito cuidado para não maculá-lo.
No Odù iká’fún, que todos os Awos tem como suas diretrizes, é ensinado que quando o mais velho chega, todos devem reverenciá-lo. É uma pena vê que isso está se perdendo e está de duas formas:
“Pessoas se dizendo mais velhas e se comportando como crianças, por não saber aquilo que diz saber e jovens não dando aos mais velhos os devidos respeitos.”
“Este mesmo odu ensina também que um sábio não se impõem, ele é reconhecido.”
Ifa diz que a descoberta espiritual é solitária.
Por que estamos juntos, então? – perguntaram a Orunmila.
Vocês estão juntos porque um bosque é mais forte que uma árvore só.
O bosque resiste muito mais ao vento, além de ajudar ao solo a ser fértil.
O que faz a árvore forte é a raiz, mas ela não pode fazer nenhuma outra planta crescer.
Ter o mesmo propósito e deixar que cada um cresça é o caminho dos que comungam com Olodumare.
Procure descobrir o seu caminho na vida.
Ninguém é responsável por nosso destino, a não ser nós mesmos.
Ouvir os mais velhos desde a criação do mundo e em todos os tempos.
Epá Odù
Não e dificil, viver e a coisa mais facil que se existe!
Ifa-Orunmila é mais que uma filosofia de vida, é um realinho com seu destino.
Ifa gbe wa oo

Por Iyanifa Fademilade Ajobi Agboola.

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Egbé Orum – Nossos grandes amigos e companheiros espirituais.

É destino de algumas pessoas serem muito poderosas na Terra. É através do Egbé que seus aspectos positivos se manifestarão. Para algumas pessoas uma coisa pequena e insignificante se transformará em algo muito grande através da influencia de Ègbé. É sempre importante que as pessoas cuidem de Ègbé. Em casos de crianças doentes é importantíssimo, pois problemas na infância podem estar ligados e sendo causados por Ègbé òrun.

Pai Alex de Oxaguiã

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Alfabeto Yorùbá

Toda língua possui um conjunto de grafemas (signos, letras) que possibilita o registro gráfico das informações culturais de um povo. Isso não é diferente com o povo yorùbá. Sua língua, também chamada yorùbá é riquíssima em signos, sons e significados.

Entender como funciona o registro gráfico de uma língua é a base para compreender os seus demais mecanismos linguísticos e gramaticais. Por isso, saber como usar o alfabeto yorùbá, é condição sine qua non para aprender os fundamentos básicos dessa língua que tanto nos instiga.

O alfabeto da língua yorùbá é composto de vinte e cinco letras divididas em sons consonantais e vocálicos, assim como no português.

As letras de uma língua são chamadas de grafemas e os sons que produzimos, quando pronunciamos os grafemas, são chamados de fonemas.

Para facilitar o aprendizado e a compreensão clara do alfabeto da língua yorùbá, abaixo, apresentaremos um quadro contendo os grafemas da língua yorùbá e seus respetivos fonemas.

GRAFEMAS FONEMAS
A,a /a/
B,b /bi/
D,d /di/
E,e /e/
Ẹ,ẹ /ɛ/
F,f /fi/
G,g /gi/
GB,gb /gbi/
H,h /Ri/
I,i /i/
J,j /dji/
K,k /ki/
L,l /li/
M,m /mi/
N,n /ni/
O,o /o/
Ọ,ọ /ɔ/
P,p /pui/
R,r /ri/
S,s /si/
Ṣ,ṣ /xi/
T,t /ti/
U,u /u/
W,w /iu/
Y,y /ii/

Como se pode ver no quadro acima, na língua yorùbá não existem as letras C, Q, V, X e Z. Os sons do C, como conhecemos em português, são grafados com “k” (casa) e com “s” (doce). O som de Q é grafado com “k”. O som de “x” é grafado com “ṣ”. O “v” e o “z” não são sons frequentes na língua.

Outra peculiaridade que gostaríamos de mencionar é o grafema “gb” que, embora seja escrito com duas letras, equivale a apenas uma. Na pronúncia, o “gb” deve ser pronunciado de modo a produzir os dois sons, ou seja, os sons do “g” que é igual a /g/ e do “b” que é igual a /b/, ou seja: /gb/.

Em face do que foi falando anteriormente, esse fenômeno linguístico não se equivale aos dígrafos consonantais do português, a exemplo de “rr”, “ss”, “sc”, “sç”, “ch”, “nh”, “lh” “qu” e “gu”.

Os dígrafos da língua portuguesa, embora sejam escritos com duas letras, são pronunciados numa só emissão de voz, compondo apenas um fonema. Por isso que o “gb” do yorùbá não se equivale aos nossos dígrafos já que, ao ser pronunciado, é possível ouvir os dois sons distintos de “g” e de “b”. Entenderam?

Em yorùbá, temos as chamadas vogais nasais que equivalem aos nossos dígrafos vocálicos, são elas:

VOGAIS FONEMAS
AN,an /ã/
EM,em /ẽ/
IN,in /ĩ/
ON,on /õ/
UM,um /ũ/

A letra “N”, empregada depois das vogais, só serve como indicativo sonoro. Necessariamente não constitui um fonema em si mesma.

A vogal nasal “on” aparece sempre depois das consoantes B, F, GB, M, P e W nas palavras. Na frase “Èsú wa jú wo mòn mòn ki wo Odára”, a palavra “mòn” é um exemplo do uso. A vogal “an” é usada com as demais consoantes, a exemplo da palavra “inán” expressa na frase “Inán inán mo júbà e e mo júbà”.

As letras “n” e “m” em vogais nasais finais são sempre suprimidas na escrita, mas não na pronúncia. Exemplos ogá(n), iná(n), omi(n).

VOCABULÁRIO:

Iná(n): fogo

mòn: saber, entender, conhecer

ogá(n): cargo masculino no Candomblé

omi(n): água

yorúbà: povo negro do grupo sudanês, nome da língua desse povo.

TRADUÇÃO DAS FRASES:

“Èsú wa jú wo mòn mòn ki wo Odára”: Exu nos reconhece e sabe que o culto é bom.

“Inán inán mo júbà e e mo júbà”: Meus respeitos ao Exu do Fogo.

REFERÊNCIAS:

BENISTE, José. Dicionário yorùbá português. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2011.

BENISTE, José. Òrun àye: o encontro de dois mundos. 4.ed., Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004.

FONSECA JÚNIOR, Eduardo. Dicionário yorùbá português. São Paulo: Civilização Brasileira, 1988.

OLIVEIRA, Altair B. Cantando para os orixás. 4.ed., Rio de Janeiro: Pallas, 2012.

PORTUGAL FILHO, Fernandez. Guia prático de língua yorùbá. São Paulo: Madras, 2013.
WIKIPÉDIA. Língua iorubá. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_iorub%C3%A1

(Por Thonny Hawany)

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Acentuação e entonação na língua Yorùbá

Para refletir sobre os conceitos mais profundos da prosódia de uma língua, é preciso antes esclarecer dois conceitos que julgamos importantes para que as proposições futuras sobre o assunto fiquem claras. São eles: entonação e acentuação. A entonação é o nome que se dá à intensidade com que um indivíduo pronuncia as sílabas de uma palavra. Trata-se, portanto da variação de intensidade que se emprega ao falar. A acentuação define-se como sendo o ato de acentuar palavras na fala ou na escrita.

Existem dois tipos de acentuação: a tônica e a gráfica. A acentuação tônica é a que determina qual sílaba de uma palavra, com mais de duas sílabas, deve ser pronunciada com maior intensidade. A acentuação gráfica está relacionada com a colocação (ou não) de sinais diacríticos sobre as vogais para determinar, na fala, que sílaba deve ser pronunciada com maior ou menor intensidade.

Cabe ainda lembrar que os dois conceitos estão intimamente ligados, visto que a acentuação gráfica ajuda a compreender como se deve entonar as sílabas de uma palavra. A acentuação garante a melodia da palavra, da frase e da língua como um todo.

Havendo feito os esclarecimentos preliminares, passemos, pois, ao objeto deste texto que é a acentuação e a entonação das palavras no idioma yorùbá.

Diferente das mais conhecidas línguas do planeta, o yorùbá tende a acentuar, graficamente, mais de uma sílaba das palavras que compõem o seu vernáculo.

A acentuação gráfica do yorùbá, além de informar a intensidade que deve ser utilizada na pronúncia das sílabas de uma palavra, também pode indicar a diferença de significado existente entre dois ou mais signos linguísticos com grafias semelhantes. Neste caso, o acento não tem função demarcadora da entonação, mas de diferenciar os significados das palavras. Em português, chamamos esse fenômeno de acento diferencial.

Como exemplo de acento diferencial em yorùbá, tomemos as palavras àṣẹ́, aṣẹ́ e àṣẹ. Da esquerda para a direita, a primeira palavra (àṣẹ́) significa menstruação, a segunda (aṣẹ́) significa coador e a terceira (àṣẹ) significa o poder emanado dos òrìṣà (divindade cultuada pelo povo yorùbá). Assim sendo, o uso indevido da acentuação gráfica pode causar dúvidas, ruídos e, por que não dizer: até constrangimentos.

Os acentos gráficos usados na língua yorùbá são: o agudo (´); o grave (`) e o til (~), este último encontrado, segundo alguns autores, na escrita antiga, como se pode ver na grafia da palavra ãṣẹ̀ (porta larga) que, mais tarde, passou a ser escrita com duplo “a”, assim: ààṣẹ̀. No idioma yorùbá, há também as sílabas sem nenhum acento e que devem ser pronunciadas com entonação média.

A não observação dos acentos das palavras do yorùbá tem provocado traduções absurdas de textos escritos nessa língua, especialmente, daqueles usados na ritualística religiosa.

Os acentos gráficos (ou a falta deles) para denotar a forma como devemos (ou não) pronunciar as sílabas e as letras da língua yorùbá podem ser classificados da seguinte forma:

O acento agudo (´) é aquele que indica sempre a sílaba (ou as sílabas) que devem ser pronunciadas com maior intensidade nas palavras. Vejamos! Na frase: Bàbá mi ni àìdá (Meu pai é severo), a palavra bàbá possui dois acentos: o grave que indica a sílaba menos intensa e o agudo que indica a sílaba mais intensa, ou seja: a sílaba com maior tonicidade e, por isso, deve ser entonada mais fortemente. A palavra àìdá tem dois acentos graves e um agudo, ou seja, duas sílabas de intensidade fraca e uma de intensidade forte.

O acento grave (`), como já vimos, serve para marcar a entonação mais fraca de uma sílaba numa palavra. Na expressão: mo júbà (meus respeitos), a sílaba de entonação mais forte é “jú” e não o “bà” como se vê, na prática, na maioria das casas de Candomblé.

A falta de acento sobre as vogais também é informação prosódica em yorúbá. Quando a sílaba não tem acento, isso significa que deve ser pronunciada com média intensidade em relação às demais que podem ser de forte ou de fraca intensidade. Vejamos! Na frase: Èsú ni Olúwa mi. (Exu é o meu senhor.), a palavra olúwa tem três sílabas: o-lú-wa. Nitidamente se pode notar que duas dessas sílabas não têm nenhum acento, por isso devem ser pronunciadas com entonação média em relação à outra. Há casos em que há três entonações diferentes numa só palavra. Veja o que ocorrer em Adùpẹ́ ọrẹ́ mi! (Obrigado meu amigo), a palavra a-dù-pé tem três sílabas e cada uma delas com uma intensidade diferente: média, baixa e alta consecutivamente. Assim sendo, a referida palavra deve ser lida: aduPÉ.

Em face do exposto, afirmamos que entender o funcionamento dos sinais diacríticos da língua yorùbá, especialmente aqueles relacionados à acentuação gráfica, constitui condição primordial para a compreensão da pronúncia correta das palavras a fim de promover uma comunicação livre dos ruídos e dos equívocos.

REFERÊNCIAS:
BENISTE, José. Dicionário yorùbá português. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2011.
BENISTE, José. Òrun àye: o encontro de dois mundos. 4.ed., Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004.
FONSECA JÚNIOR, Eduardo. Dicionário yorùbá português. São Paulo: Civilização Brasileira, 1988.
OLIVEIRA, Altair B. Cantando para os orixás. 4.ed., Rio de Janeiro: Pallas, 2012.
PORTUGAL FILHO, Fernandez. Guia prático de língua yorùbá. São Paulo: Madras, 2013.
WIKIPÉDIA. Língua iorubá. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_iorub%C3%A1. Aceso em: 14/07/2015.

(Por Thonny Hawany)

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