Família

Ah Mãe de Santo, eu não vou não, esta minha irmã não gosta de mim! Fulano, eu não quero saber de ir nesta obrigação não, não vou com a cara de beltrana! Ah, hoje? Eu? No Ilé? Jamais, esta muito frio e ciclano não merece que eu ajude.

“A base do candomblé é a família.”

Família. Mas afinal o que é família? Família é a unidade básica da sociedade, formada por indivíduos com ancestrais em comum e/ou ligados por laços afetivos.

O mesmo se repete à nossa família do candomblé. Temos ancestrais em comum, temos irmandade e afetividade de sobra não é mesmo?

Houve uma época no candomblé, isso há aproximadamente 20, 25 anos atrás, em que as famílias se reuniam para ajudar o seu próximo, pegavam uma causa e abraçavam juntos, do inicio ao fim. Filhos de santo, irmãos de santo, quando um outro irmão se recolhia para tomar suas obrigações, se doavam para o mesmo, corriam pra roça, faziam seus esforços, não tinha frio, não tinha chuva, não tinha nada que impedisse nosso amor e dedicação aos Òrìsàs e ao seu próximo. Este era o real laço de irmandade, o real Asè. Sim, Asè, porque o asè é composto de história, de vivência, de amor. Hoje eu faço por você, amanhã você faz por mim, somos todos iguais perante Òrìsà. Não importa se você é uma pessoa graduada dentro da religião, se possui seu posto hierárquico ou se é um abiyan que vai passar por seu primeiro bori. Todos somos iguais. A hierarquia existe para a organização, para mostrar o respeito, não para sermos maior que ninguém.

Onde isso se perdeu? Eu não sei, mas o que vejo hoje são as pessoas dentro do candomblé olhando única e exclusivamente para os seus propósitos particulares, ou apenas para aqueles que são mais próximos.

Precisamos refletir sobre isso, somos todos um, somente entendendo este conceito de família é que podemos dizer que fazemos parte de um núcleo extenso chamado Candomblé, chamado Família de Asè. Só existe esta forma para manteremos o candomblé vivo.

Vamos fazer pelo próximo, sem olhar a quem, para que o mesmo faça por nós. Gentileza só pode gerar gentileza, então seja gentil com o seu próximo dentro de sua casa de candomblé, e então comece a provar a si mesmo, que nos temos como irmãos, desta forma, sua casa de candomblé se tornará um ambiente agradável para a inclusão familiar.

Vamos cultuar mais Òrìsàs e suas vontades, vamos cultuar e servir aos nossos ancestrais, vamos seguir as determinações que nossos Òrìsàs nos deram, nossa missão. Vamos cultuar menos pessoas! Vamos nos socializar! Vamos realmente sentir o outro, vamos nos incluir como família! Vamos ser do Candomblé!

Olorun a gbe wa o Papo de Esteira

 

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Ciúme

O Ciúme, também chamado de “Okolory” pelo Povo do Santo é um “Ajogun poderoso” que pode destruir uma casa de axé, trazendo transtornos incalculáveis para toda comunidade. O que alimenta o ciúme não é o amor, mas sim o sentimento de não ser amado, preterido. O ódio de não ser querido imediatamente busca um rival que compete com o ciumento pela propriedade do objeto amado em questão e sempre buscando uma posição privilegiada além do que já possui. O Okolory sofre muito com angustia, tristeza, mau-humor, insatisfação, frustração, buscando sempre motivos para justificar os seus ciúmes e quando encontra, tudo fica menos angustiante, todavia já provocou inúmeros conflitos. O comportamento de um ciumento num terreiro de Candomblé é tudo ou nada, nunca estão satisfeitos com o sua posição na rígida hierarquia do Axé, deixa de cumprir sua função para criticar a função do outro, sem se dar conta do seu delírio psicótico destrutivo, fruto da sua imaginação. Acima de tudo o ciúme é uma situação crônica, que vai crescendo a níveis insuperáveis e incuráveis na sua maioria, por não serem considerados pelo Povo de Santo como um Ajogun. O Sacerdote tem que compreender que não existe ciúmes normais em um Terreiro de Candomblé, pois esta energia é danosa e prejudicial para todos, não se pode descuidar deste Ajogun tão poderoso, entendendo que o ciúme é uma loucura, podendo causar inúmeras tragédias, inclusive a MORTE. Muito Axé Hoje e Sempre.

Fonte: Bàbá Ominire.

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Sacrifício

Sacrifício significa que qualquer coisa que se deseja nessa vida, requer o abandono de outra.
São as escolhas que se precisa fazer para conseguir seguir o caminho ao qual está predestinado.
A vida é um processo de dar e receber constante. E tudo gira em torno de sacrifícios. A maior forma de sacrifício é o Tempo. Sacrificar seu tempo, é sacrificar vida, dinheiro, paciência, trabalho. É abrir mão da família, do laser, do descanso, do prazer, da saúde…
Muitos não percebem que no plano espiritual, assim como no físico, requer algum tipo de dar e receber. Dentro da visão do mundo africano tradicional, você é o maior responsável pela sua melhoria. Se quer mudar sua condição, precisa fazer o sacrifício. Toda forma de sacrifício lhe impulsiona para frente.
Mesmo quando se está fazendo caridade ou doação, está se sacrificando em prol do outro. Quando você se sacrifica, se edifica com bases melhores, mais sólidas e mais seguras.
O ser humano se sacrifica, desde o dia em que é fecundado. Porque nesse dia, durante a corrida dos espermatozóides, aquele que chega primeiro, que mais se sacrifica e se esforça é o vencedor, e o prêmio é a vida. Após ser fecundado, precisa crescer, e aí nessa fase, tem o sacrifício físico da mãe, que carrega e alimenta o bebê durante 9 meses. Depois vem o nascimento, que é um sacrifício, pois é preciso abrir mão do conforto e segurança da barriga da mãe, para vir ao mundo. Aí então, vem o sacrifício de crescer e aprender, e assim por diante…
Mesmo aqueles que não fazem nenhum esforço, com certeza, tiveram pessoas que se sacrificaram para que ele estivesse ali, naquele momento, ocupando aquele lugar.
Os pais se sacrificam para dar o melhor para seus filhos, o professor para ensinar o melhor para seus alunos, o sacerdote, sacrifica seu tempo para seus fieis. Sempre, em todos os minutos, no mundo, existe alguém fazendo algum tipo de sacrifício.
E para quê tanto sacrifício ? Sempre é questionado !
Com certeza, todo esse sacrifício, se transforma em louros, em bem estar para a vida, para a evolução como ser humano. Quando se sacrifica em prol de outra pessoa, é preciso faze-lo com o coração, porque ter boas ações com o próximo, é se aproximar do Divino.
E a recompensa que se tem com tudo isso é o reconhecimento do alto, porque será merecedor de respeito.
Sacrifício é todo ato efetuado com o coração, sem esperar nenhum tipo de remuneração por isso. É estar fazendo pelo outro e consequentemente, por si mesmos.
Quando você estiver preocupado com os problemas e tentar encontrar a solução, com certeza será preciso sacrificar para que as coisas aconteçam a seu favor. Se você não der o primeiro passo em busca do que quer, se não sacrificar pelos seus objetivos, com certeza, ninguém fará por você.
Quando você fizer suas escolhas na vida, lembre-se que é preciso, sempre, abrir mão de alguma outra coisa, e com certeza terá que arcar com as conseqüências dessas escolhas, nesse momento você estará se sacrificando.
Quando acontecem as mudanças no dia a dia, sempre é muito difícil, pois toda mudança, gera alguma resistência. Para que as coisas mudem, é preciso se sacrificar, somente assim a mudança realmente acontece.
O sucesso é um ponto que você sempre quer alcançar, mas não é algo que aconteça da noite para o dia, é um caminho árduo que deve ser construído devagar e com muito sacrifício. Não há sucesso sem sacrifício, se você quer chegar ao topo, se você quer alcançar grandes conquistas, é preciso sacrificar-se muito. É a lei da natureza !
Seu Sacrifício pessoal é o passo que você deve dar para alcançar seus desejos, porque cada sacrifício tem um prêmio muito especial.
Pense naqueles que estudam; noites sem dormir e abstinência de diversão, naqueles que trabalham; para o sustento de sua família ou para uma posição melhor, todos eles se sacrificam por algo ou por alguém.
Pense naqueles que se dedicam ao outro; noites sem dormir, dedicação a estudos; para o bem do próximo, para a elevação espiritual, e para o seu próprio bem; pense no que você está fazendo neste momento; e se pergunte onde está o seu sacrifício ? Sacrificar-se pelo Amor Universal de Deus, sempre terá o seu reconhecimento e recompensa, e isso é algo que ninguém pode tirar de você.
O sucesso nunca será o resultado do acaso, porque não é mágica ou sorte, mas o trabalho árduo do sacrifício e do nível de entusiasmo.
O sacrifício é a porta de entrada para o sucesso, para o mundo e para a vida. A decisão de se levantar e seguir em frente atrás de suas melhorias e objetivos, é o que te levará, sempre, ao Sucesso.
Trabalho de pesquisa:
por Erelú Iyá Òsún Funké, Iyanifá Fun Mi Lolá
(Fatima Gilvaz)

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O poder do silêncio

Não é fácil emudecer mediante a uma ofensa. A vontade que temos é de explodir e responder na mesma moeda, mas quando paramos para refletir, de onde vem a ofensa e refletir sobre a vida do ofensor e sentir o quanto de carga negativa a pessoa carrega, percebemos que muitas vezes não vale nem a pena um revide, seria como atropelar cachorro morto.
Pra que tornar-se igual, a quem precisa ofender para chamar atenção? Permanecer em silêncio nesses casos, já é uma grande e profunda resposta.
-E a alma agradece e o espírito evolui.

Autora: Veronica Tosta

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O Periespírito – Definição, origem e natureza

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O perispírito é uma condensação do fluido cósmico universal em torno de um foco de inteligência, ou Alma.

É o envoltório semimaterial do Espírito e o laço que une o Espírito à matéria do corpo.

Se diz que o perispírito é semimaterial porque pertence à matéria pela sua origem (***Fluido Universal) e à espiritualidade pela sua natureza etérea.
*** O fluido universal, também referido por fluido cósmico, é a matéria elementar primitiva.
Na obra “Evolução em Dois Mundos” , André Luiz assim discorre a seu respeito:
“O fluido cósmico é o plasma divino, hausto do Criador ou força nervosa do Todo-Sábio. (…) na essência, toda a matéria é energia tornada visível e que toda a energia, originariamente, é força divina de que nos apropriamos para interpor os nossos propósitos aos propósitos da Criação, cujas leis nos conservam e prestigiam o bem praticado, constrangendo-nos a transformar o mal de nossa autoria no bem que devemos realizar, porque o Bem de Todos é o seu Eterno Princípio.
Compete-nos, pois, anotar que o fluido cósmico ou plasma divino é a força em que todos vivemos, nos ângulos variados da Natureza, motivo pelo qual já se afirmou, e com toda a razão, que ‘em Deus nos movemos e existimos’” (Paulo de Tarso, em Atos 17:28).

Por sua natureza e em seu estado normal o perispírito é invisível, porém, ele pode sofrer modificações que o tornem perceptível e até tangível, ou seja, possível de ser visto e tocado.

O Espírito extrai seu perispírito dos elementos contidos nos fluidos ambientais de cada mundo, de onde se deduz que os elementos constitutivos do perispírito variam conforme os mundos.

A natureza do perispírito está sempre em relação ao grau de adiantamento moral do Espírito, portanto, conforme seja mais ou menos depurado o Espírito, seu perispírito se formará das partes mais puras ou mais grosseiras do fluido peculiar ao mundo onde ele venha encarnar.

Propriedades do periespírito

O perispírito não se acha encerrado nos limites do corpo, como numa caixa.

Pela sua natureza fluídica, ele é expansível, irradia para o exterior e forma em torno do corpo uma atmosfera que o pensamento e a força de vontade podem dilatar com maior ou menor intensidade.

Sendo o perispírito dos encarnados de natureza idêntica a dos fluidos do mundo espiritual, ele os assimila com facilidade, como uma esponja se embebe de um líquido.

Atuando esses fluidos sobre o perispírito, este, a seu turno, reage sobre o organismo material com o qual se acha em contacto molecular.

Se os eflúvios são de boa natureza o corpo ressente uma impressão salutar; se são maus, a impressão é penosa.

Se são permanentes e enérgicos, os eflúvios maus podem ocasionar desordens físicas; não é outra a causa de certas enfermidades.

Em virtude de sua natureza etérea, o Espírito propriamente dito não pode atuar sobre a matéria grosseira, sem intermediário, isto é, sem o elemento que o ligue à matéria.

Principais propriedades do perispírito

Visibilidade:

Por meio de uma espécie de condensação o perispírito, que normalmente é invisível, pode tornar-se perceptível à vista.

Tangibilidade:

Pode, o perispírito chegar a adquirir as propriedades de um corpo sólido e tangível, conservando, porém, a possibilidade de retomar instantaneamente seu estado etéreo e invisível.

Transfiguração:

Admite-se que o Espírito pode dar ao seu perispírito toda a aparência que desejar, isto opera-se por uma mudança no aspecto geral da fisionomia ou por uma aparência luminosa.

Isto pode ocorrer com o perispírito de uma pessoa desencarnada, como no de uma pessoa encarnada, não isolada do corpo, mas irradiando-se ao redor do corpo de maneira a envolvê-lo, como um vapor, poderá mudar de aspecto, se tal é a vontade do seu espírito.

Um outro espírito que esteja desencarnado, combinando seu fluido com o de um outro que esteja já encarnado pode-lhe substituir a aparência.

Bi-corporeidade:

O Espírito de uma pessoa encarnada recobra parte se sua liberdade, isolando parcialmente do corpo, seu perispírito adquirindo momentaneamente a tangibilidade, aparece em outro local, tornando-se presente fisicamente em dois lugares ao mesmo tempo e mostrando-se com todas as aparências da realidade.

Neste estado, o corpo físico não estará jamais num estado normal, estará mais ou menos extático.
EXTÁTICO = “aquele que está em êxtase”

Penetrabilidade:

Matéria nenhuma lhe opõe obstáculo, ele atravessa todas, como a luz atravessa corpos transparentes.

Emancipação:

Durante o sono ou desdobramento mediúnico ele se liberta do corpo físico, ficando assim unido a esse pelo conhecido cordão de prata.
desdobramento

Funções do periespírito

O perispírito é o organismo que personaliza e individualiza o Espírito e o identifica quanto à aparência.

A alma após a morte jamais perde sua individualidade.

Ela comprova essa individualidade, apesar de não mais possuir o corpo material, e o perispírito guarda a aparência de sua última encarnação.

É através dele que um ser abstrato como é o Espírito se torna um ser concreto, definido e apreensível pelo pensamento.

Molde do corpo físico

Pode-se dizer, que ele é o esboço, o modelo, a forma em que se desenvolve o corpo físico.

Ele é também o MOB (Modelo Organizador Biológico).

É na sua intimidade energética que se agregam as células, que se modelam os órgãos, proporcionando-lhes o funcionamento.

Princípio das Comunicações

Para atuar na matéria, o Espírito precisa de matéria.

Como já foi dito, em virtude de sua natureza etérea, o Espírito, propriamente dito, não pode atuar sobre a matéria grosseira sem um intermediário que o ligue a essa matéria.

Esse intermediário, que nós chamamos de perispírito, nos faculta a chave de todos os fenômenos espíritas de ordem material.

Portanto, o perispírito é o órgão de manifestação utilizado pelo Espírito nas comunicações com o plano dos espíritos encarnados.

Sede da memória e sensibilidade

É comum encontrarmos alguns autores espíritas que confundem alguns atributos do Espírito como sendo do perispírito.

A sede da memória é um deles.

Segundo Kardec, o Espírito é quem possui a sede da memória, pois ele é o ser inteligente, pensante e eterno.

Sem o Espírito, o perispírito é uma matéria inerte privada de vida e sensações.

A mesma coisa se dá quando nos referimos à sede da sensibilidade.

É o Espírito quem ama, sofre, pensa, é feliz, triste, ou seja, é nele que residem todas essas sensações ou faculdades.

O perispírito é apenas o órgão que transmite todas essas sensações e acumula as energias oriundas dos pensamentos, sentimentos, emoções, etc.

Portanto o perispírito, é um instrumento a serviço do Espírito.

Como sabemos, ao pensar criamos a energia mental.

Os sentimentos e as emoções também criam energias específicas, toda energia é matéria e por serem matéria ficam retidas no perispírito.

Em resumo, o perispírito é matéria, não pensa nem tem memória.

Pensar e ter memória, são atributos do Espírito.

Órgão sensitivo do Espírito

O Perispírito é o órgão de transmissão de todas as sensações do Espírito.

O Corpo recebe uma sensação que vem do exterior, o Perispírito que está ligado a esse corpo transmite essa sensação e o Espírito, que é o ser sensível e inteligente a recebe.

E vice-versa: quando o ato é de iniciativa do Espírito, o Perispírito transmite e o Corpo executa.

Os órgãos do perispírito

Pela simples observação do corpo físico, pode-se deduzir que o Perispírito possui, também, algo semelhante a órgãos, isto é, aglomerados de moléculas, cuja configuração especial é destinada à execução de funções determinadas.

Tais aglomerados moleculares, evidentemente, são apropriados ao funcionamento na vida extra física, promovendo a captação e assimilação de energias e fluídos necessários à sua manutenção, captação e assimilação, que se processam de modo, essencialmente, diverso da vida física

Não podem, por isso mesmo, ser iguais aos órgãos do corpo denso, mas determinam, pelas linhas de força que os caracterizam, a conformação e distribuição funcional destes últimos, os quais, naturalmente estão adaptados, pela evolução biológica, à execução e às suas funções específicas.

Os órgãos do perispírito podem ser lesados pela ação desordenada ou maléfica da mente do indivíduo e pelos seus atos.

Mandato Mediúnico – Responsabilidades e Riscos da Mediunidade

Todos os homens são médiuns, diferindo somente quanto à maior ou menor sensibilidade na escala mediúnica.

Entretanto, aqueles que já manifestam sua faculdade mediúnica de modo ostensivo, nos quais se percebe a ocorrência de um “fenômeno incomum”, ou algo estranho que lhes domina a mente, a vontade, ou produz a perturbação psíquica, são criaturas necessitadas de um desenvolvimento mediúnico disciplinado e sob o controle de pessoas mais experimentadas.

Sem dúvida, trata-se de espíritos que já se reencarnaram comprometidos com a “mediunidade de prova”, e onerados por severas obrigações cármicas decorrentes de suas iniqüidades do passado.

Esses espíritos são agraciados pela bondade dos Mestres do Alto através da hipersensibilidade do seu perispírito, decorrente da intervenção dos técnicos siderais, e assim reencarnam-se com a “graça prematura” de participarem de um serviço extra e obrigatório no mundo físico, que lhes desperte a sensibilidade para os objetivos espirituais.

A verdade é que tanto os homens cultos ou ignorantes, ricos ou pobres, desde que sofram a insidiosa perturbação que lhes afeta o psiquismo e destrambelha os nervos, não passam de criaturas necessitadas de urgente socorro dos trabalhos espíritas, para se ajustarem novamente ao seu comando psíquico e se harmonizarem com seus velhos adversários do pretérito.

Alguns encarnados, cuja mediunidade às vezes reponta de súbito, com sintomas obsessivos, requerendo os cuidados urgentes de outros médiuns mais desenvolvidos, podem ter reencarnado com a obrigação cármica de abalar as convicções infantis ou ateístas de sua própria família carnal.

Desde que são responsáveis, no passado, por acontecimentos morais que levaram algumas criaturas ao desespero, à loucura ou até ao suicídio, eles se obrigam a suportar a “prova da obsessão” e lograr a sua cura posterior, com o fito de abalar as convicções de sua parentela carnal, que comumente são suas próprias vítimas de ontem.

Embora todos os homens sejam realmente mais ou menos influenciados pela atuação dos espíritos desencarnados, não se deve esquecer que também existem os espíritos bons, em tarefa benfeitora para com aqueles que na vida física buscam a sua reabilitação espiritual.

Mas é necessário ao homem renovar-se incessantemente na composição dos seus pensamentos e manifestações dos seus sentimentos, adestrando-se tanto quanto possível no curso superior da vida espiritual.

Aqueles que desejarem se livrar da companhia das entidades das sombras não podem descurar do seu apuro moral, do estudo superior e do seu controle emocional e mental sobre os desejos inferiores e as paixões violentas.

O médium não pode ser considerado uma criatura anormal, mas se trata, sem dúvida, de um indivíduo incomum, criatura inquieta, receptiva e algo aflita, que vive, por antecipação, certos acontecimentos.

A hipersensibilidade perispiritual do médium atua com veemência na fisiologia do seu sistema nervoso e endócrino.

O médium, portanto, em face de sua sensibilidade psíquica aguçada, enfrenta uma existência mais gravosa do que o homem comum, cumprindo-lhe desde cuidar da alimentação, até suportar mais intensamente os dissabores e as preocupações da vida humana, sofrer mais facilmente os efeitos das alterações climáticas e as preocupações da vida humana, pois o seu psiquismo é demasiadamente excitável.

Alguns médiuns, entretanto, são, por natureza, pacatos e sem qualquer característica excepcional, pois sua mediunidade, neste caso, é menos sensível no campo psíquico; enquadram-se nesta situação os médiuns sonâmbulos ou de efeitos físicos, cuja faculdade é de caráter fenomênico, só identificada e manifestada durante o transe.

A luta do médium para sobreviver no mundo físico é bem mais intensa do que a existência do homem comum.

1. OBSTÁCULOS E VICISSITUDES NO SERVIÇO MEDIÚNICO

Geralmente, o médium é um espírito em débito com seu passado, e a faculdade mediúnica ajuda-o a redimir-se, o mais cedo possível, no serviço espiritual em favor do próximo, lembrando uma pessoa que, depois de arrependida de seus desatinos, passa a empreender atividades benfeitoras, a fim de compensar o seu passado turbulento.

Então, além de suas obrigações cotidianas, sacrifica o seu repouso habitual e coopera nas iniciativas filantrópicas e nos movimentos fraternos, atende à parentela pobre, aos amigos em dificuldades, aos presidiários e aos deserdados da sorte, funda instituições socorristas, participa de agremiações educativas e auxilia sociedades de proteção aos animais.

É obvio que, apesar dessas atividades filantrópicas, os médiuns não se livram dos imperativos biológicos do seu corpo físico e a sua faculdade mediúnica, longe de constituir-se privilégio, não os isenta das vicissitudes e das exigências educativas da vida humana, pois a saúde ou a doença não dependem especificamente do fato de o homem ser ou não médium de prova.
Malgrado o esforço socorrista elogiável e as atividades religiosas ou caritativas de muitos médiuns, eles também estão submetidos ao trabalho comum e sujeitos igualmente ao instinto animal e às tendências ancestrais da família terrena.
O espírito que já renasce na Terra comprometido com o serviço mediúnico, que o ajudará a reduzir o fardo cármico do seu passado delituoso, deve cumprir o programa que ele mesmo aceitou no Espaço!

Aliás, quando o médium retorna ao Além, ele já se dá por muito satisfeito caso tenha desempenhado um mínimo de dez por cento do programa a que se comprometeu e foi elaborado pelos seus mentores siderais.

Deste modo, o espírito que em vida anterior zelou pelo seu corpo físico e viveu existência sadia, sem vícios e paixões deprimentes, obviamente há de merecer na vida atual um organismo sadio e de boa estirpe biológica hereditária, que lhe permite gozar boa saúde; mas aquele que no passado esfrangalhou o seu equipo carnal e o massacrou na turbulência viciosa, gastando-o na consecução dos apetites inferiores, terá um corpo físico dotado de funções orgânicas precárias.

A mediunidade de prova é um ensejo, espécie de “aval” concedido pelo Alto ao homem demasiadamente comprometido em suas existências anteriores, mas é do seu dever cumprir a tarefa mediúnica de modo honesto, sublime e caritativo, cabendo-lhe a responsabilidade moral na boa ou má aplicação dos bens cedidos pela magnanimidade dos seus guias.

O médium não é um missionário, na acepção exata da palavra, pois, salvo raras exceções, é um espírito devedor, comprometido com o seu passado, e a sua faculdade mediúnica é um ensejo de reabilitação concedido pelo Alto, no sentido de acelerar a sua evolução espiritual.

Portanto, além de dar cumprimento aos deveres inerentes à faculdade mediúnica, terá ele de enfrentar também as contingências que a vida impõe a todos, pois os problemas que lhe dizem respeito só podem ser solucionados e vencidos mediante a luta, e não pela indiferença ou preguiça, e nem pela ajuda dos seus guias, pois estes somente ajudam os pupilos que fazem jus, pelo esforço próprio empreendido.

Quando o médium se empenha em dar fiel cumprimento à sua tarefa mediúnica e enfrenta as adversidades da vida com estoicismo e resignação, sempre é assessorado no Astral por uma equipe de espíritos beneméritos, que o amparam a fim de tornar-lhe mais fácil vencer os obstáculos da sua jornada.
É grande a responsabilidade do médium na função de “ponte viva” entre o setor invisível e o mundo físico, pois, além de tratar-se de um encargo que ele mesmo aceitou antes de reencarnar, a mediunidade é um ministério ou contribuição de esclarecimento destinada a despertar e esclarecer as consciências, sendo pois um serviço em favor da própria humanidade.
A função do médium assemelha-se à do carteiro que, embora seja a peça de menor destaque na correspondência entre os homens, caso se recuse a cumprir a função de entregar as mensagens aos destinatários, semelhante negligência constitui uma falta bastante grave.

Em tais condições, desde que se rebele contra a sua obrigação ou se escravize a vícios e paixões que prejudiquem e inutilizem a sua tarefa mediúnica, então será vítima dos espíritos das sombras e, por sua culpa, enfraquecerá o serviço libertador do Cristo.

O aguçamento imaturo da mediunidade de prova muitas vezes leva o espírito a desenganos, malogros e rebeldias, tal qual o jogador de xadrez que, após muitos lances frustrados, vacila em mover no tabuleiro a peça de menor importância.

No entanto, o médium laborioso e desinteressado, disposto a vencer todos os obstáculos, conseguirá transpor todos os empecilhos do mundo, e até os que estão em si próprio, pois há casos em que o médium, apesar de alijado e quase paralítico, mesmo assim ele consegue reunir em volta do seu leito uma turma de irmãos dispostos a ouvirem a sua palavra fraterna e instrutiva, ligando todos à faixa vibratória sublime da Vida Angélica. Em suma, embora ele esteja impossibilitado de dar passes, participar de trabalhos de incorporação ou passar receituário, mesmo assim dá cabal desempenho à missão a que se obrigou.

À semelhança da bolota que se desenvolve no solo, sujeita a crescer naturalmente por efeito da sua dinâmica genética, o médium de prova sabe que se cultivar cuidadosamente a sua faculdade mediúnica, então também conseguirá tornar-se uma espécie de carvalho generoso, cuja sombra amiga beneficiará muitos viajantes necessitados de repouso.

Assim como o modesto veio d’água, nascido e vertido da encosta de uma cordilheira, depois de sulcar prodigamente extenso solo ressequido por onde passa, e contornar obstáculos imensos, se transforma em caudaloso e imenso rio, o médium também precisa transpor e vencer as pedras que surgem no caminho do seu aprendizado e aperfeiçoamento mediúnico.

No entanto, se quiser vencer mais facilmente as decepções e os desânimos na sua caminhada evolutiva sobre a face do planeta, o talismã milagroso para conseguir esse objetivo é integrar-se, de alma e coração, no roteiro luminoso do Evangelho de Jesus!

2. A FUNÇÃO REDENTORA DA MEDIUNIDADE E O ÊXITO NO SERVIÇO MEDIÚNICO

No aprimoramento mediúnico estão em jogo os elevados ensinamentos da vida evangélica, e a sua finalidade é a de proporcionar ao homem a sua mais breve libertação espiritual.

Entretanto, o êxito depende muitíssimo das condições morais e dos conhecimentos do médium, que deve se afastar de tudo aquilo que possa despertar o ridículo, a censura ou o sarcasmo sobre a doutrina espírita.

O médium desenvolvido, na acepção da palavra, é fruto de longas experimentações em favor do próximo!

Só o serviço desinteressado, a imaginação disciplinada e o equilíbrio moral-emotivo é que poderão garantir ao médium o sucesso nas suas comunicações com o Alto!
São dignos de censura os médiuns preguiçosos, que sentem estranho prazer em se conservar na mesma ignorância de quando iniciaram o seu desenvolvimento mediúnico.

O êxito do mandato mediúnico e a sua transparência espiritual exigem que os seus intérpretes, além do seu apuro moral, também despertem o seu comando mental e melhorem o seu intelecto.

O êxito no serviço mediúnico depende muito mais da renúncia, desinteresse, humildade e ternura dos seus medianeiros, do que mesmo de qualquer manifestação fenomênica espetacular, que empolga os sentidos físicos, mas não converte o espírito ao Bem.

A faculdade mediúnica, destinada a objetivos sublimes, bem mais importante e complexa do que o desempenho das profissões comuns do mundo, igualmente exige, na sua preparação, um roteiro inteligente, sensato e criterioso, sob o mais devotado carinho e desprendimento de seus cultores.

3. AS VICISSITUDES NO DESPERTAMENTO DA MEDIUNIDADE

Só a mediunidade saudável e natural, decorrente da evolução humana e fruto do maior apuro espiritual da alma, revela-se de modo sereno em sua espontaneidade e se manifesta de modo pacífico, como dom inato e sem produzir quaisquer sensações desagradáveis no ser.

Entretanto, no caso da mediunidade de prova, isto é, de uma “concessão” provisória, feita pela Administração Sideral, como decorrência de uma hipersensibilidade prematura, despertada excepcionalmente pelos técnicos do mundo astral com o fito de favorecer aos espíritos muito endividados, o seu despertamento é, em geral, sujeito a várias circunstâncias desagradáveis.

Durante o período de florescimento da mediunidade, a maior ou menor perturbação psíquica ou orgânica do médium também depende muitíssimo do tipo de suas amizades espirituais e do seu modo de vida no mundo material.

As alegrias, os sofrimentos ou as tristezas que o tomam de súbito também decorrem do tipo das aproximações do invisível, que se sintonizam perfeitamente aos seus pensamentos e sentimentos manifestos.

A tarefa mediúnica não compreende somente a função mecânica de o médium transmitir as comunicações dos espíritos desencarnados para o cenário terrícola, atendendo à prosaica função de “ponte viva” entre o mundo material e o Além.
O compromisso da mediunidade requer, sobretudo, que os seus medianeiros vivam existência digna e operosa na carne, a fim de lograrem sintonia com espíritos sublimes e responsáveis pela redenção do homem.
Toda imprudência, desleixo, rebeldia, má vontade ou paixão viciosa por parte dos médiuns em prova no mundo físico, geram toda sorte de distúrbios psíquicos e mesmo sofrimentos físicos incontroláveis que, por essa razão, tornam o desenvolvimento mediúnico um processo torturante.

É muito comum à maioria dos médiuns iniciarem o seu despertamento mediúnico sob a atuação dos espíritos sofredores, imperfeitos ou obsessores que, aproveitando-se da “porta mediúnica” aberta para a fenomenologia do mundo físico, atiram-se à satisfação dos seus objetivos impuros e cruéis.

Desde que o médium invigilante e desregrado ainda esteja comprometido por dificultoso resgate cármico, ele então se converte em instrumento favorável para o vampirismo dos desencarnados, que se debruçam avidamente sobre o mundo material.
A mediunidade, num sentido geral, só desperta nos homens pela ação do sofrimento, que lhes afeta a carne e o psiquismo, para depois amainar sob um desenvolvimento ordeiro nos ambientes evangélicos, dirigidos por elementos experimentados.

Só então é que o médium neófito e perturbado, pouco a pouco, se ajusta à tarefa incomum e assume o controle psíquico de seu corpo, enquanto procura sintonizar-se vibratoriamente com o espírito guia e benfeitor, que deverá protegê-lo na sua tarefa de intercâmbio com o mundo invisível.

A mediunidade é um meio para encarnados e desencarnados atingirem objetivos excelsos e, por isso, não dispensa a educação, o afinamento moral, a cultura do seu próprio intérprete, e também o seu despertamento espiritual.

É mais importante para o bom “guia” o progresso intelectivo, o desembaraço e a integração evangélica do seu médium, do que mesmo o êxito brilhante de sua manifestação mediúnica.

O mentor espiritual, sábio e sensato, muitas vezes protela as revelações extemporâneas do Além pelo seu pupilo ansioso do seu próprio destaque pessoal, para que este em primeiro lugar se revele pela modéstia sensata do homem evangelizado.

O médium, como uma criatura de responsabilidade pessoal para com a família e a sociedade, acima de tudo deverá aprender a caminhar pelos próprios pés, no tocante ao entendimento da vida imortal, e procurar ser útil ao próximo.

4. CONSUMO ENERGÉTICO E O EXCESSO DE TRABALHO MEDIÚNICO

O excesso de trabalho mediúnico, na forma de um labor prolongado, pode resultar em fadiga, que varia de indivíduo para indivíduo, conforme a maior ou menor capacidade física de sua resistência.

O médium, mesmo nos seus momentos de pura inspiração, consome certa quantidade de energias neurocerebrais, porque a mais sutil mensagem inspirada pelos espíritos exige uma série de operações intermediárias algo fatigantes, a fim de atingir a consciência física e depois se manifestar, por exemplo, na forma de palavra falada ou escrita.

Aliás, o próprio pensamento, para se manifestar a contento, depende do consumo de certas energias que o ajudam a atingir o cérebro material:

O INTERCÂMBIO MEDIÚNICO PELO PENSAMENTO COM OS DESENCARNADOS:

* Consome diversas substâncias energéticas da massa encefálica;
* Produz certa desmineralização do sangue;
* Reduz as cotas vitais magnéticas da rede nervosa;
* Mobiliza os hormônios necessários para ativar as glândulas do sistema endócrino e movimentar as cordas vocais (no caso da psicofonia) ou o braço do médium (no caso da psicografia).

Mesmo a mais singela meditação do homem eleva e excita sua tensão psíquica, mobilizando os elementos magnéticos do seu maquinismo carnal; isto acontece ainda que ele não sinta qualquer fadiga corporal.

Evidentemente, o intercâmbio mediúnico mais complexo exige maior consumo de energias do homem para o êxito dessa operação psicofísica, de alta intensidade e sob o comando do mundo oculto. No entanto, a intensidade do cansaço ou fadiga, no homem, também se manifesta de acordo com a resistência biológica e o controle emotivo da sua tensão mental.

Em conseqüência, o médium que se entrega à atividade mediúnica com sua mente descontrolada, embora permaneça sob a proteção dos espíritos amigos e benfeitores, nem por isso se livra da contingência das leis físicas que lhe disciplinam as atividades biológicas.

O Alto não exige do ser humano a carga de um “fardo” maior do que suas costas!
A faculdade mediúnica não é uma proposição atrabiliária, mas a oportunidade compensativa para o espírito endividado quitar-se consigo mesmo…

O médium desleixado, negligente, rebelde, ou que se exceda nos seus labores mediúnicos, agrava os seus equívocos de vidas anteriores!

5. OS EXCESSOS MEDIÚNICOS, AS DOENÇAS E A LOUCURA

Sem dúvida, a luta do médium para sobreviver no mundo físico é bem mais intensa e sacrificial do que a existência do homem comum, que apenas atende às contingências instintivas de cuidar da prole, que é fruto do cumprimento da lei do “crescei e multiplicai-vos”.

Como o espírito reencarnado na Terra não pode isolar-se completamente das contingências inerentes ao próprio meio em que o indivíduo, na sua vida de relação, está sujeito a hostilidades e emoções que lhe afetam o equilíbrio psíquico, é obvio que o exercício da mediunidade poderá causar-lhe até mesmo a loucura, desde que ele a exerça de modo insensato e ultrapasse o limite fixado no programa elaborado antes de sua encarnação.

O médium precisa agir com muita prudência na vida física, a fim de não confundir sua responsabilidade mediúnica com os acontecimentos naturais da vida material.

Embora ele seja protegido pelos amigos desencarnados, que lhe endossaram a tarefa mediúnica na Terra, eles não podem impedi-lo de modificar sua vida, quer tomando rumos inesperados perniciosos, quer tomando decisões insensatas, que podem levá-lo à loucura, por ultrapassar o limite de sua segurança espiritual.

Sabe-se que os ascendentes biológicos hereditários da carne conservam, em sua intimidade, em estado latente, os germens de taras, vícios, estigmas e enfermidades, como a sífilis, morféia ou tuberculose, inclusive os reflexos das alienações mentais sofridas pela geração ancestral.

No próprio conteúdo sanguíneo do homem permanecem os vírus morbígenos de sua linhagem hereditária que, quando se apresentam as condições favoráveis, acabam por proliferar além da sua quota normal ou inofensiva, podendo ferir o sistema neurocerebral.

Durante os estados de debilidade orgânica muito acentuada, agravados ainda pelo bombardeio incessante das paixões violentas, como o ódio, ciúme, inveja, raiva, perversidade e outras emoções indisciplinadas, o homem desenvolve em si um clima “psicofísico” negativo, que facilita o desenvolvimento de certas coletividades microbianas patogênicas, já existentes na sua intimidade sanguínea.

Assim, a loucura, nesse caso, não é propriamente fruto do exercício da faculdade mediúnica, mas sim uma conseqüência da predisposição mórbida do tipo orgânico do próprio homem.

Quer ele seja médium ou não, poderá enlouquecer desde que ultrapasse o limite de sua resistência biológica, quaisquer que sejam as causas.

Seja ele um compositor, matemático, pintor, filósofo, escritor ou líder religioso, pode vir a se tornar um alienado mental desde que atue além do limite de sua resistência psicofísica, findando sua existência transformado em paranóico, esquizofrênico e até psicopata furioso.

No entanto, isso pode acontecer sem que ele seja um médium espírita, mas sim por exercer atividades tensas e de emotividade contínua, as quais, superexcitando-lhe o íntimo da alma, terminam por afetar-lhe o equilíbrio dos órgãos cerebrais.

Em todas as pessoas que se desgovernam pelo excesso de elucubrações mentais quanto aos problemas complexos da ciência ou da arte superior, que lhes empolgava o espírito, a agudeza, a vivacidade que os dominava para expressar as suas emoções, terminaram por lhes destruir a saúde e prejudicar o intercâmbio pacífico com o mundo oculto.

Contudo, é evidente que, nesses casos, o gênio não se lhes extinguiu na alma imortal, cuja centelha divina, após a morte física, retorna ao seu equilíbrio, pois os conhecimentos adquiridos, com vistas a um ideal superior, jamais se perdem, pois são um patrimônio do próprio espírito.

6. O EXERCÍCIO DA MEDIUNIDADE PELO MÉDIUM ADOENTADO

Quanto ao médium doente ou perturbado, a sua cura positiva ou o exercício mediúnico sadio depende mais dos recursos sublimes da oração, da boa leitura espiritualista, assim como da freqüência a reuniões de caráter evangélico.

Caso ele, aflito e enfraquecido física e psiquicamente, tente os trabalhos mediúnicos, há de sentir-se ainda mais agravado pela sua excitação mediúnica; daí a necessidade de reconfortar-se no orvalho sedativo do Evangelho do Cristo!

Ele deve atender à sua saúde física, abster-se de bebidas alcoólicas, condimentos excitantes, entorpecentes e de sedativos, carnes, geralmente ingeridos a granel; caso contrário, será criatura assediada pelos espíritos glutões, gozadores e fesceninos, uma vez que o médium é porta aberta, em permanente contato com o Invisível.
Por isso, deve cultuar vida saudável e correta, que lhe preserve o corpo físico dos excessos esportivos violentos, cujas emoções dão motivo a desperdício do seu magnetismo terapêutico.

7. O DESENVOLVIMENTO PREMATURO DA MEDIUNIDADE NA CRIANÇA

Quando a mediunidade é prematuramente desenvolvida na criança, sob estímulos catalisadores ou exercícios medianímicos de contatos insistentes com os desencarnados, isso acaba por superexcitar a sua sensibilidade psíquica e causar-lhe distúrbios orgânicos.

Considere-se ainda que muitos fenômenos mediúnicos assemelham-se a acontecimentos da fisiologia humana, tais como a esquizofrenia, a paranóia, a histeria e a certos complexos freudianos, no que se pode erroneamente julgar tratar-se de um médium em potencial.

Por isso, é de todo imprudente provocar-se o desenvolvimento mediúnico da criança, mesmo quando julgado tratar-se de um médium em potencial.
A mediunidade é como a flor; deve desabrochar no momento próprio e não em estufa!
O organismo infantil é delicado e bastante influenciado pelo fervilhamento das forças biológicas que ainda lhe consolidam o maquinário neurocerebral.

As suturas, os contornos da carne de criança para a formação de sua figura humana, ainda dependem fundamentalmente das trocas simpáticas entre átomos, moléculas, células e fibras, cujo ritmo só se estabiliza depois da puberdade, quando o menino ou a menina se torna homem ou mulher.
A excitação psíquica inoportuna, as impressões mentais dramáticas, os choques emotivos ou as comoções imprevistas, tendem a alterar a segurança nervosa das crianças e podem causar-lhes desarmonias orgânicas, cujos reflexos prejudiciais afetarão a estrutura íntima do perispírito, ainda parcialmente afastado do corpo físico.

A mediunidade, portanto, é como a flor, que exige o cultivo somente no momento próprio do seu desabrochar.

É óbvio, entretanto, que a criança, que já é portadora de fenômenos incomuns, devido à faculdade mediúnica espontânea, ela os exerce como um fato inerente à sua própria pessoa, sem sofrer angústias ou aflições, produzindo-os sem esforços ou espanto, tal como ri, canta ou salta, o que para ela é manifestação natural de sua própria constituição ancestral.

É acontecimento que ela não discute, nem guarda prevenções, por considerá-los próprios da criatura humana.

Muitas crianças narram acontecimentos miraculosos sem demonstrar espanto ou receio, considerando como um fato natural à sua existência física, até mesmo as visões psíquicas que elas identificam; em conseqüência, depois de adultas, terminam por relacionar os fenômenos mediúnicos que viveram espontaneamente na infância, ligando-os então aos postulados doutrinários do Espiritismo, mas sem considerá-los indesejáveis ou fruto de distúrbio mental.

Como o intercâmbio mediúnico é serviço de grave responsabilidade espiritual, resulta, sem dúvida, de pouco sucesso quando entregue ao menino ou menina, ainda sem os compromissos próprios do adulto.

8. RISCOS DECORRENTES DA INATIVIDADE MEDIÚNICA

O médium de prova é um espírito que, antes de descer à carne, recebe um “impulso” de aceleração perispiritual mais violento do que o metabolismo do homem comum, a fim de se tornar um intermediário entre os “vivos” e os “mortos”.

Assim, é criatura cuja hipersensibilidade, oriunda da dinâmica acelerada do seu perispírito, o faz sentir, com antecedência, os acontecimentos que os demais homens recepcionam de modo natural.

Esse é o motivo porque o desenvolvimento mediúnico disciplinado e o serviço caritativo ao próximo proporcionam certo alívio psíquico ao médium e o harmonizam com o meio onde habita.

Tal qual um acumulador vivo, ele se sobrecarrega de energias do mundo oculto e depois necessita descarregá-las num labor metódico e ativo, que o ajuda a manter sua estabilidade psicofísica.

A descarga dessa energia excessiva, acumulada pela estagnação do trabalho mediúnico, não só melhora a receptividade psíquica, como ainda eleva a graduação vibratória do ser.
O fluido magnético acumulado pela inatividade no serviço mediúnico transforma-se em tóxico pesado na vestimenta perispiritual e causa desarmonia no metabolismo neuro-orgânico.

O sistema nervoso, como principal agente ou elo de conexão da fenomenologia mediúnica para o mundo físico, superexcita-se pela contínua interferência do perispírito, hipersensibilizado pelos técnicos do Espaço, e deixa o médium tenso e aguçado na recepção dos mínimos fenômenos da vida oculta.

Deste modo, o trabalho ou intercâmbio mediúnico significa para o médium o recurso valioso que o ajuda a manter sua harmonia psicofísica.

9. ABDICAÇÃO DO EXERCÍCIO DA MEDIUNIDADE

As criaturas que são médiuns e desistem de exercer a mediunidade devido à insuficiência de suas condições físicas, emotivas, financeiras e até morais, demonstram que não estão cônscias de sua responsabilidade espiritual.

Os médiuns nascem comprometidos para um serviço excepcional a favor do próximo, além de sua própria redenção, e isso é escolha feita livremente antes deles ingressarem na carne.

Imprudentemente, muitos esquecem esse compromisso severo e se entregam a todos os caprichos e vícios próprios do homem comum; deste modo, atravessam a existência terrena na figura do caçador de emoções e aventuras censuráveis, enquanto subestimam a mediunidade, que lhes pesa à conta de um fardo insuportável.

Embora sejam portadores de mensagem incomum, vivem presos aos preconceitos e às convenções tolas da sociedade terrena, pois transitam pelo mundo material, escravos das minúcias e das futilidades mais tolas.

Esquecendo a responsabilidade da faculdade mediúnica, eles vivem inconscientes do seu próprio destino espiritual elevado; em tais condições, negligenciam o seu labor mediúnico e desperdiçam tempo precioso entre companhias censuráveis e nos ambientes viciados.

Qual antenas vivas de maus fluidos, terminam saturados pelo desânimo, pessimismo e desconfiança, completamente derrotados diante das vicissitudes humanas.

São médiuns que encerram sua existência na condição de elementos improdutivos, gastos e desesperançados; excessivamente onerosos para o Alto, mesmo quando atendem ao mais singelo serviço mediúnico, eles exigem junto de si, a todo o momento, a presença de espíritos técnicos e cooperadores, que lhes devem cuidar da saúde periclitante, afastá-los dos lugares perniciosos e guiá-los às boas ações.

Em verdade, até para fazerem o Bem, falta-lhes o senso e a iniciativa própria!

No entanto, assim que se sentem higienizados pelos bons fluidos do Além, e assistidos pelos seus guias, eis que novamente relaxam sua vigilância e defesa psíquica, para retornarem às mesmas condições perniciosas anteriores.

Em conseqüência, o recurso mais prudente a ser providenciado pelo Alto é o de afastá-los definitivamente do serviço mediúnico ativo, pois, em caso contrário, serão vítimas da superexcitação nervosa que lhes causará ainda coisa pior.

10. FRACASSOS E ABUSOS NO EXERCÍCIO MEDIÚNICO

Ainda é grande a porcentagem dos médiuns que fracassam no exercício da mediunidade, após terem gozado o prestígio de faculdade mediúnica incomum.

Não é propriamente a posse antecipada da faculdade mediúnica o motivo responsável pelo fracasso muito comum de alguns médiuns em prova na matéria; isso é mais conseqüente de sua imperfeição ou contradição espiritual.
O médium, em geral, é espírito que decaiu das suas posições privilegiadas do passado, sendo ainda muito apegado à sua personalidade humana transitória; deste modo, ele subestima a transcendência dos fenômenos que se processam por seu intermédio e os considera, erroneamente, mais como produto exclusivo de sua vontade e capacidade mental.

Embora muitos médiuns sejam inteligentes e mentalmente desenvolvidos, o orgulho, a vaidade, a ambição, a prepotência, a cupidez ou a leviandade ainda os fazem tombar de seus pedestais frágeis, porque falsamente se crêem magos excepcionais ou indivíduos de poderes extraordinários para a produção de fenômenos extemporâneos ou revelações incomuns.

A Terra ainda é pródiga de magos de feira, curandeiros mercenários ou iniciados sentenciosos que, através de rituais extravagantes, atraem e exploram as multidões ignorantes.

São verdadeiros “camelôs” da espiritualidade que, beneficiados pela graça mediúnica concedida pelos espíritos benfeitores, exploram-na sob o disfarce da magia ou dos poderes esotéricos, mas sempre evitando a disciplina espírita que, sem dúvida, lhes exigiria conduta ilibada e o absoluto desinteresse pecuniário no trato das coisas espirituais.

Entretanto, chega o momento em que eles são atingidos em cheio pela Lei Sideral, que lhes estanca a exploração do veio aurífero da mediunidade a serviço do comércio indigno e dos interesses pessoais, e assim terminam os seus dias sob terrível humilhação espiritual, sofrendo as agruras do mau emprego dos favores concedidos pelo Alto.

Muitas lendas terrenas são verdadeiros simbolismos e alusões ao mau uso dos dons mediúnicos, quando certos médiuns traem a confiança dos seus mentores siderais.

A tradição lendária narra o caso de criaturas que, depois de favorecidas com poderes excepcionais concedidos por anjos, fadas ou gênios benfazejos, terminam perdendo-os lastimavelmente pela avareza, cupidez, vaidade, desleixo ou interesse mercenário.

Sem dúvida, tais narrativas não passam de lendas e contos fantásticos, mas em sua profundidade permanece o ensinamento espiritual do fracasso daqueles que fazem mau uso dos talentos que os gênios do Bem concedem aos espíritos endividados, e que necessitam urgentemente de sua própria reabilitação espiritual.

No entanto, a faculdade mediúnica pode desaparecer a qualquer momento, desde que o seu portador a comprometa na Terra, para satisfazer sua vaidade ou obter proveitos ilícitos.
A nenhum médium é facultado servir-se da mediunidade para o seu uso exclusivo ou aproveitamento excêntrico, nem expô-la em público na forma de tábua de negócios, pois é também um dos talentos concedidos por Deus a seus filhos, tal como ensinou Jesus em suas parábolas.

As forças psíquicas tanto se degradam na manifestação espetacular, que só exalta a personalidade humana transitória, como se deturpam quando são transformadas em mercadoria destinada a criar todas as facilidades ou atender aos caprichos da vida física.

Os valores legítimos da faculdade mediúnica, quando são desenvolvidos e praticados com o Cristo, não produzem quedas e as humilhações que abalam a vida tumultuosa dos médiuns imprudentes.

O médium, como instrumento fiel da vontade do Senhor, revelada no mundo das formas, elabora um dos piores destinos para o futuro quando, pela sua negligência ou má fé, subverte o programa espiritual que prometeu divulgar à superfície da Terra.

Há sempre atenuante para aquele que peca por ignorância, mas é indigno da tolerância quem o faz deliberadamente, depois de haver-se comprometido para a efetivação de um serviço que diz respeito ao bem de muitas criaturas.

Os mentores siderais só concedem a faculdade mediúnica para os espíritos que se prontificam a cumprir leal e corretamente, na Terra, todos os preceitos e normas necessárias para um aproveitamento espiritual em seu favor e em favor da humanidade.

Os espíritos endividados rogam aos técnicos siderais a sua hipersensibilização perispiritual, para então desempenharem um serviço mediúnico que promova o ressarcimento de seus débitos clamorosos do passado.

No entanto, estes não podem prever antecipadamente a ganância, a vaidade, a subversão ou a desonestidade dos seus pupilos quando, depois de encarnados, se deixam fascinar pelas tentações, vícios e convites pecaminosos que os fazem fracassar na prova da mediunidade.

Em geral, depois de encarnados, deixam-se influenciar pelas vozes melífluas dos habitantes das Trevas e passam a comerciar com a mediunidade à guisa de mercadoria de fácil colocação.

Sem dúvida, quando percebem sua situação caótica espiritual, já lhes falta a condição moral e o potencial de vontade para o seu reerguimento ante o abismo perigoso.

Nenhum espírito encarna-se na Terra com a tarefa obrigatória de ser médium psicógrafo, mecânico, incorporativo ou de efeitos físicos, pois, na verdade, cada um o faz por sua livre e espontânea vontade, pois solicitou previamente do Alto o ensejo abençoado para redimir-se espiritualmente num serviço de benefício ao próximo, uma vez que no pretérito também usou e abusou dos seus poderes intelectuais ou aptidões psíquicas em detrimento alheio.

Mesmo na Terra, as tarefas mais perigosas devem ser aceitas de modo espontâneo, para que o seu responsável não venha a fugir posteriormente de cumpri-la por desistência pessoal, e, sem dúvida, a escolha do serviço perigoso sempre recai sobre o homem mais apto e capacitado para o bom êxito.
Em especial, a mediunidade de fenômenos físicos é um serviço incomum, difícil e perigoso, cujos óbices vultosos e surpresas exigem o máximo de prudência, humildade, e segurança moral.

O médium, antes de encarnar-se, sabe disso e se depois vem a comerciar com os bens espirituais e fracassar no desempenho contraditório de sua função elevada, tal fato não pode ser creditado ao Alto, que só lhe proporcionou o ensejo redentor.

A culpa, evidentemente, cabe ao próprio fracassado ante a sua imprudência em aceitar tarefas mediúnicas acima de sua capacidade normal de resistência espiritual.
As oportunidades mediúnicas redentoras são concedidas aos espíritos faltosos, mas quanto à responsabilidade do êxito ou fracasso, somente a eles deve ser atribuída, pois é o médium quem produz as próprias condições gravosas ou ditosas no desempenho de sua tarefa mediúnica.

A mediunidade de prova não se refere propriamente à concessão de faculdades mediúnicas prematuras ou poderes concedidos extemporaneamente, pelos mentores da Terra, aos homens imaturos ou que ainda não se encontram espiritualmente seguros de cumpri-las.

Às vezes, estes não passam de antigos magos que dominavam facilmente as forças ocultas, exerciam o fascínio sobre os elementais e usavam de hipnose para fins interesseiros, tal como no caso de Rasputin, que se aproveitou dos seus objetivos torpes, como instrumento vil das trevas.

Quando tais espíritos retornam à carne para tentar a sua renovação espiritual manejando os mesmos poderes que desvirtuaram no passado, mas sob a promessa de só os empregar a favor do Bem, nem sempre logram sustentar por muito tempo o tom espiritual elevado que lhes é requerido pelos mentores siderais.

O coração atrofiado e a mente aguçada pela vontade poderosa, que é exercitada em vidas anteriores, traem esses espíritos no trabalho mediúnico do Bem, caso não se curvem humildes e desde o princípio de sua tarefa sob os postulados redentores do Cristo.

Quando os responsáveis pelo progresso do orbe verificam a inutilidade de conservá-los no serviço ativo da seara, vêem-se obrigados a alijá-los de qualquer modo, a fim de que cessem os graves prejuízos decorrentes de sua atividade descontrolada.

Mas Deus sempre concede a oportunidade de renovação moral e do trabalho digno a todos os seus filhos, e a prova mais evidente disso é que aqueles que presentemente já esposam princípios espirituais dignos e superiores devem isso à bondade divina, que tolerou as suas iniqüidades do pretérito, concedendo-lhes também a graça do serviço redentor tantas vezes quantas foram os seus equívocos.

Em verdade, os pecadores são justamente aqueles que mais precisam de Amor, tanto quanto os enfermos necessitam do médico.

Desde que do lodo pode surgir o lírio imaculado, é óbvio que dos lábios dos homens impuros também é possível nascerem a esperança e o roteiro para os seres desarvorados na estrada da vida humana.

E se Deus, o Criador do Universo, que deveria exigir do homem o máximo de submissão e acatamento aos objetivos sublimes de Sua Obra, multiplica os ensejos de sua mais breve redenção espiritual, sem dúvida, a sua criatura não tem o direito de odiar, maltratar, roubar, e execrar o seu próprio irmão de destino sideral.

Eis porque motivo o grande sucesso de todo médium, fenomênico ou intuitivo, ainda se fundamenta num único compromisso incondicional: cultuar sua mediunidade com o Cristo e tornar-se um trabalhador ativo na seara do Mestre.

Não basta ver, ouvir e sentir espíritos em seu plano invisível.

O médium, em qualquer hipótese, deve ser o homem que, além de contribuir para a divulgação da imortalidade do espírito na Terra, é cidadão comprometido pelos deveres comuns junto à sua coletividade encarnada, onde só a bondade, o amor, o afeto, a renúncia e o perdão incessante podem livrá-lo das algemas do astral inferior.

Considerando que a faculdade mediúnica de “prova” ou de “obrigação” é sempre o acréscimo que o Alto concede ao espírito endividado para conseguir a sua reabilitação espiritual, sob hipótese alguma deve ela ser negociada ou vilipendiada.

É o serviço de confiança que o médium exerce em favor alheio, sem deixar de cumprir todas as suas obrigações para com a família, a sociedade e os poderes públicos.

Os mentores siderais não lhe exigem o sacrifício econômico da família, a negligência educativa da prole, o descuido com as necessidades justas da parentela, para só atender indiscriminadamente ao exercício da sua faculdade.

Cada médium, como espírito em evolução, conduz o seu próprio fardo cármico gerado no pretérito delituoso, o que também lhe determina as obrigações em comum no lar, onde vítimas e algozes, amigos e adversários de ontem empreendem o curso de aproximação espiritual definitiva.

Assim é que, em última hipótese, deve prevalecer sobre o serviço mediúnico o cumprimento exato das determinações cármicas que lhe deram origem à existência na matéria.

Considerando-se que o mundo de César é o reino transitório dos interesses da vida material para a educação do espírito imperfeito, o dom mediúnico é a dádiva espiritual do reino do Cristo, e não mercadoria de especulação mundana.

11. CONSEQUÊNCIAS DO MAU USO DA MEDIUNIDADE

Há médiuns poderosos, que produzem fenômenos incomuns e curas extraordinárias e que, no entanto, mercadejam com sua faculdade mediúnica, enquanto há outros que são escravos dos vícios mais comuns.

Quantas vezes as autoridades públicas do mundo material também credenciam determinados indivíduos para desempenharem serviços de importância em favor do povo, porque os julgam homens de bons propósitos, honestos e leais?

No entanto, comumente eles enodoam o seu trabalho e traem a confiança dos seus superiores, deixando-se tentar pela cobiça, avareza ou fortuna fácil, terminando por cumprir desonestamente aquilo que lhes fora solicitado para o bem comum!

O mandato mediúnico, que autoriza o seu outorgado a prestar um serviço útil à coletividade encarnada, também lhe beneficia o espírito imperfeito, por cujo motivo é compromisso que deve ser executado com toda a dignidade e elevação moral.

Aceitando a tarefa mediúnica de suma importância para si e para o próximo, é evidente que o médium fica responsável por qualquer desvio ou perturbação que venha a produzir durante o exercício de sua tarefa no mundo profano.

Mas é evidente que os anjos do Senhor, por serem almas repletas de ternura e amor, sempre guardam suas esperanças na corrigenda ou renovação dos espíritos que, embora sendo imperfeitos e culposos, são convocados ao serviço espiritual superior da mediunidade no mundo físico.

Assim, eles não os privam subitamente da faculdade que os põem em contato com o mundo espiritual; multiplicam-lhes as oportunidades de recuperação das novas faltas e os ajudam a sanar os deslizes cometidos no seio da doutrina que os apóia na carne.

Paradoxalmente, quais árvores nutridas de seiva arruinada, esses médiuns ainda continuam a dar bons frutos, mas ignoram que é o generoso “toque” angélico, que tudo higieniza e sublima, o que realmente promove as curas e garante as revelações sadias.

Cegos pela vaidade de se julgarem auto-suficientes, capazes de tudo realizar na suposta independência de qualquer comando invisível, abdicam da vigilância e do bom senso, imunizam-se à vibração angélica e tombam fragorosamente no lodo de suas próprias imprudências.

Infelizes e orgulhosos, não conseguem perceber quando também “muda” a presença oculta que os protegia; quando se retira o anjo e em seu lugar surge a figura maquiavélica e astuta do gênio das sombras!

Dali por diante, há um “dono” e não um “guia”; em lugar do orientador terno e tolerante, que a todos os equívocos e interesses inconfessáveis do médium apunha o selo da sua responsabilidade espiritual, surge a alma cruel, daninha, orgulhosa e viciosa, que exige, domina e castiga!

Desaparece o anjo amoroso, que conduz as almas para o reino da Luz, e se manifesta o senhor de escravos, que depois arrasta do túmulo o espírito imprevidente para as regiões das trevas!

Esse o fim dos médiuns que, depois de agraciados por destacados poderes espirituais no trato do mundo físico, para o bem de si e da coletividade encarnada, terminam enodoando sua tarefa com a vileza da negociata impura e carregando a desconfiança e a hostilidade para o serviço mediúnico.

O sofrimento dos médiuns que não cumprem o seu mandato espiritual dignamente na Terra, e que eles mesmos requereram para a sua própria redenção, bem antes de se reencarnarem, negligenciando seus compromissos espirituais, não é imposto pelo Alto, à semelhança dos julgamentos da justiça humana.

Embora não lhes seja aplicado deliberadamente nenhum castigo determinado pelas autoridades sidéreas, as suas condições vibratórias demasiadamente confrangedoras e o remorso cruciante, devido ao desrespeito à confiança angélica, são suficientes para vergastar-lhe a consciência e maltratar-lhe a alma angustiada.

Depois que despertam no Além e reconhecem, à luz meridiana de sua consciência espiritual, os enormes prejuízos que causaram na consecução do elevado programa organizado pelos espíritos benfeitores, os médiuns delinqüentes se tornam ainda mais infelizes, verificando a necessidade de recomeçar novamente a mesma tarefa na Terra, não só em piores condições, como ainda deserdados do endosso angélico de que abusaram negligentemente.

E como ainda á extensa a fila dos espíritos desencarnados aguardando novos corpos físicos para uma reabilitação espiritual que lhes amaine as dores perispirituais e lhes olvide o remorso das vidas pregressas mal vividas, esses médiuns perdulários e faltosos terão de permanecer muitos anos no mundo astral, a meditar nas suas desditas e sofrer o efeito de suas mazelas íntimas.

Fontes bibliográficas:

1. Mediunismo – Maes, Hercílio. Obra mediúnica ditada pelo espírito Ramatís. 5ª ed. Rio de Janeiro, RJ. Ed. Freitas Bastos, 1987, 244p.

2. Elucidações do Além – Maes, Hercílio. Obra mediúnica ditada pelo espírito Ramatís. 6ª ed. Rio de Janeiro, RJ. Ed. Freitas Bastos, 1991.

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