Você  acredita nos seus Guias?
Por Nikolas Peripolli
Em nossa religião, temos diversos guias, mestres e mentores, que são espíritos em evolução, outros em ascensão plena e outros até evoluídos, que direcionam os trabalhos de Umbanda em outro plano amparados pelos Sagrados Orixás.
Analisando isso, somos muito bem amparados e guiados, por espíritos que nos amam e que tem uma afinidade ímpar conosco. Muitos de nossos guias mais próximos possuem uma ligação familiar de muitas vidas passadas e trazem como missão nesta passagem da vida nos amparar e nos guias conforme nossas necessidades e merecimentos em cada momento de nossas vidas.
Mas a grande pergunta é: você acredita no seu guia, ou na sua banda?
Vejo muitos médiuns de Umbanda, por muitas vezes duvidarem do trabalho dos seus guias e até mesmo questionando suas orientações para com você e outras pessoas. Vejo também a famosa frase: “Mas meu Guia não me ajuda por que”? Só ajuda os outros?
Devemos primeiro entender que nós médiuns somos canais, veículos de espíritos evoluídos que nos guiam, orientam e ajudam a quem necessitar e merecer (inclusive nós).
Não confunda seus medos, sua incertezas com a força e a capacidade dos seus guias. Nossos guias nos ajudam o máximo que podem, dentro da Lei Maior e da Justiça Divina, e se por algum momento de sua vida eles “não te ajudarem”, pode ter certeza: é um momento que você deve firmar suas pernas no chão, ser forte e adentrar de cara na situação, pois a sua vida quem deve viver é você.
Nossos guias não são muletas ou muito menos babás, para ficar nos mimando ou nos bajulando. Os guias são espíritos que nos fazem crescer, pensar e principalmente sermos racionais assim andando com nossas próprias pernas.
Quando a incerteza bater em sua porta, a vaidade, e o ego tentarem te acolher, firme sua cabeça em Deus, nos Orixás, e em seus guias. Pode ter certeza que se você acreditar, o seu mundo irá mudar, seus guias lhe mostraram o caminho para você percorrer. Suas decisões você que deve tomar e aceitar as consequências também.
Não importa se você errar, falhar, cair, os guias sempre irão te amparar, desde que você confie neles e em Deus e tenha plena certeza de que você está aqui para aprender, seja lá como for.
Confie em você, na sua natureza, e com certeza através dessa confiança seus guias se manifestarão em sua vida naturalmente e com muito poder de realização.
Confie.
By Sabedoria de Umbanda

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Para refletir

Seu orgulho não se concluiu na prática na sua vida
Ficou 90 dias no hunkó
Ficou 90 dias ( três meses de kêle no hunkó )
Ou ficou 21 dias no hunkó
Ou ficou 21 dias de kelê mais 7 para osalá em ambos os casos
Rezou tudo que tinha pra rezar .
Tomou todos os banhos gelados .,
Passou centenas de atos , fundamentos .
Viveu a hierarquia rigorosamente
Com todas as folhas e sassãnhas disponíveis
Pegou a época de baluartes do asé .

E muito se orgulha disto , que falou com fulano foi no candomblé De ciclano , conheceu não sei quem , aprendeu ebó fulano de tal
E claro fala , se orgulha e critica todo mundo que não passou o Que você passou ai vem o orixá mais implacável que tem o
O ” TEMPO ” para os angolanos ktêmbo para nos de ketu iroko
O tempo passou e você com sus idades de santo tudo em ordem Um poço de corretismo por saber tanto fundamento e ter tanta índole .

– Sua casa de asé fica aonde ?
– Qual é sua raíz sim pois não vale as várias navalhas que passou?
– Quantos omó orisá ( filhos de santo tem feitos )
– Quantos ebomis fez e tirou na sala
– Quantos oyês fez ?
– Quantos ogãn e ekedjí você fez ou confirmou
– Qual o calendário de festas do seu asé possui desde águas até Iyagbás ?

O que conquistou na vida sim orisá é evolução ainda mais para Quem tem seus 20 , 30 ou 40 e mais anos de santo ?
Como anda sua saúde ?

Quantos filhos de orisá seu comem bem , se vestem bem , Moram bem , tem caminhos REAIS E conquistas reais ?
Quais deles estão com a vida sentimental em ordem ?
Quais tem seus carros e mótos ?

Quantos tem uma boa carteira de trabalho remunerada ?

Então ou tudo que você passou no hunkó não valeu de nada
Ou você só fez merda a vida toda na vida
por que para chegar tão cheio de pompas por ter idade de santo E não tem nada na vida
Eu acho no mínimo estranho !!!
Bom eram os antigos que
Com um bom obí , pombo e uma angóla
Se tava bem construído

conheço ai muito povo da umbanda que toca seu exu sem Incomodar ninguém com 3 ou 4 carros na garagem casa cheia
E tocando certo ou não são mais prósperos por que quem enche a boca
Pra falar de tradição e não tem nada na vida
Aprendi com meu babá não tire da sua dispensa para dar para os Outros o que você não tem depois sua barriga pode roncar .

Muito estranho só acho !!!

Babalorisa Kleber Ti ogun

Umbanda: Rituais, Mitos e Preconceitos dentro da própria Religião

Vamos tentar explicar um pouquinho os diferentes rituais.
COMECEMOS POR DEFINIR O QUE SEJA RITUAL:
Ritual, é uma forma particular de se cultuar o alto do Altíssimo e cada religião possui seu ritual próprio, que se distingue de todas as outras religiões e proporciona a seus fiéis uma individualização no momento em que se colocam em contato mental com a divindade maior que rege sua religião.
O ritual identificador de uma religião tem como função envolver, estimular e congraçar num mesmo nível vibratório mental e religioso todos os seus fiéis. É quando todos os seres reunidos num mesmo espaço desarmam seus emocionais, anulam suas intolerâncias, animosidades, receios, medos e angústias e possam vibrar num mesmo sentido a fé em DEUS.
QUANDO OS UTILIZAR?
Como dissemos a pouco, temos os rituais que são utilizados no sentido de harmonização vibratória das pessoas reunidas em um mesmo espaço, e sob uma mesma Irradiação religiosa, com as mesmas práticas sub-rituais. As práticas sub-rituais são utilizadas em muitas ocasiões.
CITEMOS ALGUMAS:
Encontro de fiéis de uma mesma religião, quando recorrem a um modo particular de cumprimento e saudação.
Oferendas rituais, votivas, propiciatórias, divinatórias, consagratórias, etc., quando cada sub-ritual ainda que conserve em sua essência os fundamentos do ritual, no entanto tem seu modo e ritualística próprios para cada fim que se almeja alcançar.
ATÉ QUE PONTO RESOLVEM?
Esta é uma questão mais discutível. Se realizamos uma prática ritual com um fim específico, no entanto, fatores imponderáveis podem alterar os resultados finais. Por exemplo:
Um fiel de uma religião vai inaugurar uma loja ou casa de comércio. Ele solicita ao seu sacerdote que se realize um ritual propiciatório ao êxito e prosperidade de seu novo local, onde irá ganhar o seu pão abençoado.
O sacerdote recorre a uma prática sub-ritual e consagra e abençoa o lugar em questão, tornando-o vibratoriamente positivo ao bom êxito e prosperidade.
1ª Ocorrência: o fiel em questão, movido pela sua fé religiosa e confiança no seu trabalho e na sua capacidade profissional, inaugura sua loja e prospera rapidamente.
2ª Ocorrência: o local foi tornado positivo, mas o fiel, a despeito de sua imensa fé, não é um bom profissional no trato dos seus clientes, ou na escolha das mercadorias a serem expostas, ou na obtenção do menor custo, etc., e não prospera.
CONCLUSÃO:
“Nos rituais propiciatórios, tanto o ritual quanto o santo invocado, pouco resolvem se o beneficiário não fizer por merecer!!”
COMENTÁRIOS:
Esperamos com estas poucas linhas poder ter explanado o objetivo dos rituais para que todos comecem a entender que embora hajam diferenças entre eles, existe um mesmo objetivo, entrar em contato com sua Divindade, Orixá, Santo, Deus, e assim por diante, e o mais importante, começar a entender os diferentes rituais dentro da Umbanda e de outras religiões e pensar muito antes de começar a criticar.
Cada Templo tem seu ritual próprio, sua forma de cultuar e entrar em contato com o Divino!!
Cada indivíduo é único em sua forma, não é mesmo? Embora, às vezes, parecidos, nunca são iguais! Então, assim também são as religiões, às vezes parecidas, mas não iguais, não em seus rituais, somente iguais no objetivo de fazer os indivíduos buscarem DEUS, e cada um encontra DEUS e afinidade onde se sente bem! Feliz! Seja ele cristão ou judeu! Cada um, em sua busca, acaba encontrando DEUS em uma religião, que lhe agrade, lhe convença (lhe desperte a fé), não é mesmo? Fé é um sentimento que não se explica! Se confia e pronto! E nunca esquecermos que só recebemos o que nos é de merecimento! Temos que também fazer a nossa parte material, pois o espiritual esta ajudando! Certo?
MITOS E PRECONCEITOS
Os mitos, sempre têm um pouco de verdade e um pouco de fantasia.
Senão, vejamos:
É comum dizer-se que quem desenvolve sua mediunidade torna-se mais capaz do que quem não a desenvolve.
Isto é uma verdade se quem se desenvolveu também compreendeu os compromissos que assumiu. Mas é pura fantasia se ele nada entendeu e logo começou a enfiar os pés pelas mãos, uma vez que, se ele adquiriu um poder relativo, no entanto, começa a se chocar com um poder absoluto que é a Lei da Ação e Reação. Assim, sua suposta superioridade logo o lança em um sensível abismo consciencial.
Portanto, em se tratando de mediunidade, todo cuidado é pouco e toda precaução não é o suficiente, se não estiver presente uma forte dose de humildade e compreensão de que um médium não é um fim em si mesmo, mas sim e tão somente um meio.
COMENTÁRIOS:
Para quem não entendeu a fantasia da coisa, vou tentar falar bem claro.
Existem médiuns que infelizmente se assoberbam com o simples fato de incorporarem determinadas entidades e não se sentem iguais aos outros médiuns do corpo mediúnico, acabam por perder o respeito à entidade dos outros e começam a julgarem-se os sábios, e desconfiam da incorporação dos outros, acreditando que só e somente eles é que têm a melhor incorporação e a do melhor Guia! Quanta modéstia não?
Acreditam que a Entidade lhes pertence exclusivamente e que os poderes desta entidade lhes pertence.
Batem no peito e se gabam: – Ninguém mexe comigo, pois, eu tenho o Exú “fulano de tal” e arrebento a vida de qualquer um!
Não se contenta com um Guia que não possua um nome famoso e logo que adentra para desenvolver-se, não quer nem esperar a hora de seu guia intuir-lhe seu verdadeiro nome!
É o tal fulano (que por vaidade), entra em uma gira mediúnica e mesmo ainda não estando preparado, já quer estar graduado a incorporar e dar consultas (pois se sente inferior aos que já o fazem), quando começa a desenvolver-se já quer logo ir recebendo o Caboclo “Pode-Tudo” e o Exú “Quebra-Tudo” (nomes somente coloquiais, por favor…);
Então este mesmo fulano assoberbado, apressado, começa a dar consultas (é claro que a entidade tenta mudar-lhe o caráter), começa então, a Lei da Ação e Reação, o médium mete os pés pelas mãos e começa a prometer feitos para os consulentes em nome das Entidades e em sua cega prepotência não percebe que a Entidade não promete o que não é de merecimento do consulente pelo Alto.
Entra de cabeça em uma maré de enrolações, que dificilmente sairá e depois na maior cara-de-pau, quando os consulentes voltam para cobrar-lhe as promessas não cumpridas do médium, este ainda joga toda a culpa na Entidade e revolta-se (a maioria não chega nem a cogitar a própria falta de caráter!) e é claro, este médium acaba por abandonar o Terreiro, e começa então uma maratona, indo trabalhar de Terreiro em Terreiro até que se cansa de sua própria vaidade, e acaba abandonando a religião (vejam, como a Umbanda é generosa! Ela recebe todos, deixando que esgotem seus emocionais e quando já esgotados a abandonam). Na verdade, o médium à estas alturas já aprendeu alguma lição e se este ainda buscar outra Fé, será direcionado pelo Divino Pai, à uma religião onde qualquer contato com a mediunidade seja proibido.
Com a consciência um pouco mais desperta de seus erros, ele entrará em uma busca desesperada pela absolvição dos seus erros, preferindo acreditar-se possuído pelo demônio, quando o maior demônio era o que habitava seu coração, e não fora de si, como muitos preferem acreditar.
Muitos médiuns que enveredaram pelo caminho da Luxúria, Vaidade, Sexo, matança desenfreada de animais para Baixa Magia (Magia Negra), hoje, lotam milhares de Igrejas Evangélicas em todo o país em uma busca desenfreada pelo perdão de suas magias – negras e cumplicidade com Entidades do Baixo – Astral.
Amedrontados, pedem perdão ao Senhor Jesus e transferem vossas culpas à nossa amada Umbanda, que muitas vezes fora usada como palco de Magias Negras e rituais do mais baixo escalão!
Culpam a nossa Umbanda em público, fingindo-se incorporados de demônios! Estão incorporados é de suas consciências pesadíssimas que buscam desesperadamente livrarem-se de todo peso, de anos e anos a usar e alimentar espíritos ignorantes a seu bel – prazer!
Culpam a Umbanda e os “demônios” pela falta de caráter que possuem!
É com grande alívio que vejo estas Igrejas recolherem centenas dessa gente em seus Templos, fazendo uma verdadeira limpeza em nossa Religião.
Quando me refiro à limpeza, pois é isso mesmo que é, a Umbanda esta sendo purificada com a retirada dessa escória de Magos Negros, que tanto contribuíram para denegrir a nossa religião e que tantos prejudicaram sob o manto de cordeiro de suas vestes brancas dizendo-se umbandistas!
Desculpem-me se deixei alongar demais, temos que concluir nosso tema principal, mas acredito que ficou bem claro, onde pode acabar quem se deixa iludir por mitos (fantasias).
Nunca entrem em uma corrente mediúnica, por que te disseram que você tem guias maravilhosos, lindos, etc., todos os guias são maravilhosos mesmo, mas não é este o objetivo de se desenvolver a mediunidade, o principal objetivo tem de ser o de prestar a caridade, através do amor à todos os guias igualmente, a humildade de querer aprender e ajudar!
Não entrem por vaidade!! E se estão por ela, tratem logo de deixá-la de lado e começar a despertar o verdadeiro sentido de estarem em uma corrente mediúnica. Tenham amor por todos dentro de um Templo, respeitem por amor e não por temor!!
PRECONCEITOS
Muitos são os preconceitos quanto à educação mediúnica. Muitas pessoas temem certas inverdades divulgadas à solapa por desconhecedores de religiões espiritualistas.
VAMOS À ALGUMAS COLOCAÇÕES QUE PULULAM NO MEIO RELIGIOSO:
> > a mediunidade é uma provação
> > a mediunidade é uma punição cármica
> > a mediunidade escraviza os médiuns
> > a mediunidade limita o ser
COMECEMOS POR DESMENTIR ESTAS COLOCAÇÕES NEGATIVAS:
1º mediunidade não é uma provação, mas somente a exteriorização de um Dom que aflorou no ser, e que, se bem desenvolvida, irá acelerar sua evolução espiritual;
2º não é uma punição cármica, mas sim um ótimo recurso que a Lei nos facultou para nos harmonizarmos com nossas ligações ancestrais;
3º não escraviza o médium, apenas exige dele uma conduta em acordo com o que esperam os espíritos que através dele atuam no plano material para socorrer os encarnados necessitados tanto de amparo espiritual quanto de uma palavra de consolo, conforto ou esclarecimentos;
4º não limita o ser, pois é um sacerdócio. E, ou é entendida como tal, ou de nada adianta alguém ser médium e não assumir conscientemente sua mediunidade.
Para concluir, podemos dizer, que a mediunidade, por ser um dom, tende ser praticada com fé, amor e caridade. Só assim nos mostramos dignos do Senhor de Todos os Dons: nosso Divino Criador!
O VERDADEIRO SENTIDO DA UMBANDA
A Umbanda, ao contrário do que muitos imaginam, não é só trabalhos magísticos ou despachos na “encruza”.
Como religião ela possui todo um fundo magístico, mas que se desdobra em recursos acessíveis a todos que dela se aproximam.
Muitos buscam na Umbanda a cura para seus espíritos enfraquecidos nas lides diárias e muitos encontram nela uma via natural onde se religam espiritualmente com seus afins no plano astral. Este religamento acelera a evolução espiritual de tal forma, que após alguns anos, o umbandista possui uma noção muito ampla do que seja o outro lado da vida.
E, porque na Umbanda direita e esquerda se manifestam dentro de um equilíbrio rígido pelo alto, mais fácil é a compreensão dos umbandistas sobre as ações e reações, causas e efeitos e sobre o carma individual.
Umbanda é religião, é conhecimento, é magia e espiritualização, animados pela fé interior de cada um que resulta no que chamamos de “religião umbandista”, onde o socorro espiritual convive com o despertar da consciência para as verdades maiores.
Por isso, temos assentado que o verdadeiro sentido da Umbanda é acelerar a evolução espiritual e o aperfeiçoamento consciencial e religioso dos seus praticantes.
SENÃO VEJAMOS:
A Umbanda não recusa fiéis de outras religiões entre os consulentes que frequentam assiduamente suas tendas de trabalho.
A Umbanda não obriga ninguém a renegar sua religião para poder participar de suas engiras.
Todas as outras Religiões estão representadas dentro do Ritual de Umbanda Sagrada, onde linhas de ação e trabalhos cristãs, hinduístas, islâmicas, persas, egípcias, atuam ocultadas por nomes simbólicos ainda não interpretados corretamente, ou sequer apercebidas mesmo pelos médiuns que incorporam espíritos ligados a elas.
Com isso, queremos dizer que a Umbanda Sagrada é o congraçamento de todos os espíritos e a reunião do que há de melhor em todas as religiões ainda ativas ou já adormecidas na mente dos espíritos encarnados, que somos nós. Umbanda é fé, é caridade, é conhecimento, é ecumenismo religioso. Sob o teto de um templo de Umbanda manifesta-se o caboclo índio, o preto – velho, o mestre hindu, o sábio chinês, o descontraído exú e a exuberante pomba – gira.
Aí esta sintetizado o verdadeiro sentido da Umbanda; união de todas as correntes astrais e de todas as linhas de pensamento que têm norteado a humanidade e a harmonização do ser com todas as religiões.
COMENTÁRIOS:
Está bem clara a grandeza e a beleza desta religião, agora, só dependerá de todos nós não destruirmos este maravilhoso universo chamado Umbanda, com nossos egoísmos, dúvidas desrespeitosas e preconceitos para com nossos irmãos encarnados e desencarnados.
Que a Luz dos Divinos Orixás cubra à todos com seu manto protetor e que todos que ainda não conhecem esta Religião, não saiam criticando sem antes conhecê-la de verdade!
Um grande abraço destes “Eternos Aprendizes”.
Todos os textos foram baseados e tirados da obra psicografada “O Código de Umbanda”, de Rubens Saraceni.
Todos os comentários foram coordenados pela Babá do Templo “Eternos Aprendizes do Amor e da Fé em Oxalá”.
AGRADECIMENTOS:
Ao nosso querido Pai Rogério, do “Templo da Estrela Azul”, nosso abraço mais que fraternal, e nossa eterna amizade!
À Rubens Saraceni, pela maravilhosa obra que está vindo através de sua psicografia, agradecemos do fundo do nosso coração seu trabalho e sua amizade.
À todos que acessaram este site, obrigado pela atenção!!
Ao nosso querido Pai Élcio – de – Oxalá, que com suas lindas canções só tem enriquecido nossa Umbanda!
Ao amigo e editor Luiz A. L. Silva, que tem trazido com sua ajuda material, a publicação de tão maravilhoso trabalho.
Agradeço também a existência de tantos falsos mestres que se auto – intitulam mestres, pois, foi conhecendo este tipo de gente que tive a oportunidade de diferenciar os falsos – umbandistas dos verdadeiros, aprender tudo o que eu nunca deveria fazer, e graças a existência deles foi que soube separar o “joio do trigo”, reconhecendo na humildade verdadeira das pessoas, o verdadeiro caminho que me levaria de encontro ao verdadeiro aprendizado, graças a estes inimigos da Umbanda eu tive mais vontade de lutar, aprender, amar e levantar a bandeira da Umbanda.
Cada um que já leu milhares de livros como eu, que busca conhecimento em livros, tomem cuidado com os falsos mestres, tem gente boa, mas tem muita gente que em suntuosos templos contradiz a humildade que os livros pregam, no intuito de comercializar livros “Chupados” de diversas outras literaturas.
Infelizmente os maiores inimigos da Umbanda estão infiltrados nela, mas haverá o dia em que nosso Divino Pai Xangô, em seu tempo certo, irradiará sua Justiça e a Umbanda desabrochará de uma vez, como todas as outras religiões!
Até breve! Um abraço à todos amigos da Umbanda. Eternos Aprendizes do Amor e da Fé em Oxalá.
Autor desconhecido

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O Médium que não quer se desenvolver

Muitas pessoas sabem que tem mediunidade de incorporação, mas não querem assumir a responsabilidade, tendo várias alegações para isto. Claro que esta pendência, vai continuar para uma próxima vida aqui na terra. Todos os seguimentos que lidam com a incorporação, acreditam na vida pós morte ou seja : na Reencarnação. Sendo assim, acreditamos que temos um Karma a ser cumprido, uma Missão, ou um Odu que é o nosso destino. Resumindo não viemos a passeio, temos um propósito que é único para todos nós, independente de nossa crença religiosa que é……Evoluir. Quando o médium não quer trabalhar ele pensa…….Eu tenho meu livre arbítrio, eu sou livre para fazer minhas escolhas. Não deixa de ter razão, só que nossas escolhas não são feitas aqui e sim no plano espiritual, onde temos plena consciência do nosso grau de entendimento. Assumimos compromissos para que tenhamos a oportunidade de crescimento. No caso de médium de incorporação ele tem um compromisso em trabalhar em conjunto com outra entidade, para que os dois possam crescer. Tudo isso é aceito, é uma escolha feita no plano Astral. O esquecimento nos é dado assim que reencarnamos, justamente para que possamos por em pratica tudo aquilo que escolhemos, mas aqui nos deixamos influenciar por quase queima 48h tudo ao nosso redor, compramos idéias que nem sempre fazem parte de nosso programa e assim vamos nos desviando de nossa missão. Claro que o crescimento desta pessoa será prejudicado, assim como o da entidade com a qual foi acordado o compromisso. Começa então a cobrança, ou melhor a lembrança de um acordo, que o inconsciente grita, dando vários sinais dos mais sutis como : sonhos, pessoas que falam sobre o assunto, livros, reportagens na tv etc.. e os mais incisivos como: desequilíbrio emocional, mal estar, barulho em casa e as vezes até doença que não é física. Tudo é tentado para que a pessoa olhe para dentro de si e sinta que tem algo errado e vai procurar ajuda. Alguns fatores sociais interferem muito em nossa vida aqui neste plano, é preciso haver muita determinação para que sigamos nossa missão. Mas o principal, é dar o primeiro passo, que é Aceitar. Qualquer tipo de mediunidade a ser desenvolvida é sempre para o nosso bem, nosso crescimento espiritual, um aprendizado que nos leva ao caminho da Luz. A responsabilidade é sempre nossa, nós nos deixamos influenciar, nós desistimos de nossos compromissos e sempre arrumamos uma desculpa…….ou melhor uma desculpa para outra desculpa e deixamos de fazer o que viemos para fazer. A ajuda sempre vem, só é preciso prestar atenção e Aceitar.

Mãe Solange.

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Quem foi meu guia? ·

Durante nosso desenvolvimento mediúnico tudo é novidade, e cada avanço é comemorado como uma etapa superada pelo médium. Dentre estes avanços, um dos mais esperados com certeza é quando seus guias começam a revelar seus nomes simbólicos.

No início, as primeiras reações são de dúvida. “Será que é mesmo esse o nome do meu guia ou estou mistificando?” é uma pergunta comum no início da nossa jornada, porém, superadas estas dúvidas, o médium logo corre atrás de todas as informações possíveis sobre o nome recebido, e com a internet não é muito difícil encontrar todo o tipo de informação sobre qualquer falange do astral, o que não necessariamente é algo positivo.

Depois de procurar por imagens relacionadas a essa entidade, inevitavelmente o médium busca por uma história sobre seu guia, quem foi ele em sua última encarnação ou porque ele veio a assumir esse nome, e é neste ponto que muitos atrapalhos podem acontecer, inclusive vindo a prejudicar o desenvolvimento deste médium.

Se você pesquisar pelo nome de uma entidade no google, certamente encontrará diversas histórias diferentes sobre a mesma. Algumas delas remetem a história contata por algum trabalhador em específico desta falange e outras são apenas estórias bonitas criadas pela mente algum encarnado para ilustrar os trabalhos dos falangeiros. Em todos os casos, nunca teremos certeza se elas realmente aconteceram, e, com certeza, nenhuma diz respeito ao guia que lhe acompanha.

O que infelizmente acontece em alguns casos é que, após lerem tais histórias, alguns médiuns acabam adotando-as como verdade e direcionando a postura da sua incorporação de acordo com as características descritas nelas, e é aí que vemos uma série de absurdos relativos ao comportamento da entidade quando incorporada, vestimentas, acessórios e etc., sem contar os casos onde, por ler que a entidade X foi o espírito famoso Y, o médium acaba levado pelo seu ego por incorporar uma celebridade histórica.

Por esse e outros motivos é que os nomes simbólicos adotados pelas entidades de umbanda, além de identificar seu campo de atuação, servem também para ocultar a identidade do espírito que ali atua, pois seu intuito agora é prestar a caridade independente de quem ele tenha sido em uma outra vida.

O que pesa aqui é a interação direta do médium com a sua entidade, que possibilita ao mesmo conhecer aos poucos este espírito que trabalha ao seu lado, suas características e a história dele em particular. Conforme o avanço do seu desenvolvimento, seu guia mesmo lhe contará ou mostrará alguma de suas encarnações que ele considera mais significantes dentro do seu processo evolutivo, a qual ele adotou como referência para o seu estado atual ou, em alguns casos, uma das encarnações em que vocês dois possam ter estado juntos, ou mesmo contar apenas uma história que ele julgue que a moral servirá para o aprendizado no momento atual do médium ou de quem a ouvi-la.

Utilize as ferramentas e o conhecimento disponíveis a seu favor e não para seu desequilíbrio, e acima de tudo, confie nos seus guias e busque diretamente com eles as informações a seu respeito. Troque a mistificação e a necessidade de se enquadrar a um arquétipo pela confiança e fé nos trabalhos dos seus guias. Não é porque o Caboclo de outro médium que tem o mesmo nome que o seu se comporta do jeito X ou atua na linha Y que o seu tem que se comportar igual.

Há muito mais mistérios na atuação dos guias e linhas de trabalho do que acreditamos saber ou ter codificado. Na Umbanda não cabem os padrões e as pasteurizações, seja nas doutrinas, incorporações ou atuações de cada falange. Liberte-se da necessidade de enquadramento e entregue seu mental ao astral.

POR PETERSON DANDA

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Família

Ah Mãe de Santo, eu não vou não, esta minha irmã não gosta de mim! Fulano, eu não quero saber de ir nesta obrigação não, não vou com a cara de beltrana! Ah, hoje? Eu? No Ilé? Jamais, esta muito frio e ciclano não merece que eu ajude.

“A base do candomblé é a família.”

Família. Mas afinal o que é família? Família é a unidade básica da sociedade, formada por indivíduos com ancestrais em comum e/ou ligados por laços afetivos.

O mesmo se repete à nossa família do candomblé. Temos ancestrais em comum, temos irmandade e afetividade de sobra não é mesmo?

Houve uma época no candomblé, isso há aproximadamente 20, 25 anos atrás, em que as famílias se reuniam para ajudar o seu próximo, pegavam uma causa e abraçavam juntos, do inicio ao fim. Filhos de santo, irmãos de santo, quando um outro irmão se recolhia para tomar suas obrigações, se doavam para o mesmo, corriam pra roça, faziam seus esforços, não tinha frio, não tinha chuva, não tinha nada que impedisse nosso amor e dedicação aos Òrìsàs e ao seu próximo. Este era o real laço de irmandade, o real Asè. Sim, Asè, porque o asè é composto de história, de vivência, de amor. Hoje eu faço por você, amanhã você faz por mim, somos todos iguais perante Òrìsà. Não importa se você é uma pessoa graduada dentro da religião, se possui seu posto hierárquico ou se é um abiyan que vai passar por seu primeiro bori. Todos somos iguais. A hierarquia existe para a organização, para mostrar o respeito, não para sermos maior que ninguém.

Onde isso se perdeu? Eu não sei, mas o que vejo hoje são as pessoas dentro do candomblé olhando única e exclusivamente para os seus propósitos particulares, ou apenas para aqueles que são mais próximos.

Precisamos refletir sobre isso, somos todos um, somente entendendo este conceito de família é que podemos dizer que fazemos parte de um núcleo extenso chamado Candomblé, chamado Família de Asè. Só existe esta forma para manteremos o candomblé vivo.

Vamos fazer pelo próximo, sem olhar a quem, para que o mesmo faça por nós. Gentileza só pode gerar gentileza, então seja gentil com o seu próximo dentro de sua casa de candomblé, e então comece a provar a si mesmo, que nos temos como irmãos, desta forma, sua casa de candomblé se tornará um ambiente agradável para a inclusão familiar.

Vamos cultuar mais Òrìsàs e suas vontades, vamos cultuar e servir aos nossos ancestrais, vamos seguir as determinações que nossos Òrìsàs nos deram, nossa missão. Vamos cultuar menos pessoas! Vamos nos socializar! Vamos realmente sentir o outro, vamos nos incluir como família! Vamos ser do Candomblé!

Olorun a gbe wa o Papo de Esteira

 

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Ciúme

O Ciúme, também chamado de “Okolory” pelo Povo do Santo é um “Ajogun poderoso” que pode destruir uma casa de axé, trazendo transtornos incalculáveis para toda comunidade. O que alimenta o ciúme não é o amor, mas sim o sentimento de não ser amado, preterido. O ódio de não ser querido imediatamente busca um rival que compete com o ciumento pela propriedade do objeto amado em questão e sempre buscando uma posição privilegiada além do que já possui. O Okolory sofre muito com angustia, tristeza, mau-humor, insatisfação, frustração, buscando sempre motivos para justificar os seus ciúmes e quando encontra, tudo fica menos angustiante, todavia já provocou inúmeros conflitos. O comportamento de um ciumento num terreiro de Candomblé é tudo ou nada, nunca estão satisfeitos com o sua posição na rígida hierarquia do Axé, deixa de cumprir sua função para criticar a função do outro, sem se dar conta do seu delírio psicótico destrutivo, fruto da sua imaginação. Acima de tudo o ciúme é uma situação crônica, que vai crescendo a níveis insuperáveis e incuráveis na sua maioria, por não serem considerados pelo Povo de Santo como um Ajogun. O Sacerdote tem que compreender que não existe ciúmes normais em um Terreiro de Candomblé, pois esta energia é danosa e prejudicial para todos, não se pode descuidar deste Ajogun tão poderoso, entendendo que o ciúme é uma loucura, podendo causar inúmeras tragédias, inclusive a MORTE. Muito Axé Hoje e Sempre.

Fonte: Bàbá Ominire.

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Sacrifício

Sacrifício significa que qualquer coisa que se deseja nessa vida, requer o abandono de outra.
São as escolhas que se precisa fazer para conseguir seguir o caminho ao qual está predestinado.
A vida é um processo de dar e receber constante. E tudo gira em torno de sacrifícios. A maior forma de sacrifício é o Tempo. Sacrificar seu tempo, é sacrificar vida, dinheiro, paciência, trabalho. É abrir mão da família, do laser, do descanso, do prazer, da saúde…
Muitos não percebem que no plano espiritual, assim como no físico, requer algum tipo de dar e receber. Dentro da visão do mundo africano tradicional, você é o maior responsável pela sua melhoria. Se quer mudar sua condição, precisa fazer o sacrifício. Toda forma de sacrifício lhe impulsiona para frente.
Mesmo quando se está fazendo caridade ou doação, está se sacrificando em prol do outro. Quando você se sacrifica, se edifica com bases melhores, mais sólidas e mais seguras.
O ser humano se sacrifica, desde o dia em que é fecundado. Porque nesse dia, durante a corrida dos espermatozóides, aquele que chega primeiro, que mais se sacrifica e se esforça é o vencedor, e o prêmio é a vida. Após ser fecundado, precisa crescer, e aí nessa fase, tem o sacrifício físico da mãe, que carrega e alimenta o bebê durante 9 meses. Depois vem o nascimento, que é um sacrifício, pois é preciso abrir mão do conforto e segurança da barriga da mãe, para vir ao mundo. Aí então, vem o sacrifício de crescer e aprender, e assim por diante…
Mesmo aqueles que não fazem nenhum esforço, com certeza, tiveram pessoas que se sacrificaram para que ele estivesse ali, naquele momento, ocupando aquele lugar.
Os pais se sacrificam para dar o melhor para seus filhos, o professor para ensinar o melhor para seus alunos, o sacerdote, sacrifica seu tempo para seus fieis. Sempre, em todos os minutos, no mundo, existe alguém fazendo algum tipo de sacrifício.
E para quê tanto sacrifício ? Sempre é questionado !
Com certeza, todo esse sacrifício, se transforma em louros, em bem estar para a vida, para a evolução como ser humano. Quando se sacrifica em prol de outra pessoa, é preciso faze-lo com o coração, porque ter boas ações com o próximo, é se aproximar do Divino.
E a recompensa que se tem com tudo isso é o reconhecimento do alto, porque será merecedor de respeito.
Sacrifício é todo ato efetuado com o coração, sem esperar nenhum tipo de remuneração por isso. É estar fazendo pelo outro e consequentemente, por si mesmos.
Quando você estiver preocupado com os problemas e tentar encontrar a solução, com certeza será preciso sacrificar para que as coisas aconteçam a seu favor. Se você não der o primeiro passo em busca do que quer, se não sacrificar pelos seus objetivos, com certeza, ninguém fará por você.
Quando você fizer suas escolhas na vida, lembre-se que é preciso, sempre, abrir mão de alguma outra coisa, e com certeza terá que arcar com as conseqüências dessas escolhas, nesse momento você estará se sacrificando.
Quando acontecem as mudanças no dia a dia, sempre é muito difícil, pois toda mudança, gera alguma resistência. Para que as coisas mudem, é preciso se sacrificar, somente assim a mudança realmente acontece.
O sucesso é um ponto que você sempre quer alcançar, mas não é algo que aconteça da noite para o dia, é um caminho árduo que deve ser construído devagar e com muito sacrifício. Não há sucesso sem sacrifício, se você quer chegar ao topo, se você quer alcançar grandes conquistas, é preciso sacrificar-se muito. É a lei da natureza !
Seu Sacrifício pessoal é o passo que você deve dar para alcançar seus desejos, porque cada sacrifício tem um prêmio muito especial.
Pense naqueles que estudam; noites sem dormir e abstinência de diversão, naqueles que trabalham; para o sustento de sua família ou para uma posição melhor, todos eles se sacrificam por algo ou por alguém.
Pense naqueles que se dedicam ao outro; noites sem dormir, dedicação a estudos; para o bem do próximo, para a elevação espiritual, e para o seu próprio bem; pense no que você está fazendo neste momento; e se pergunte onde está o seu sacrifício ? Sacrificar-se pelo Amor Universal de Deus, sempre terá o seu reconhecimento e recompensa, e isso é algo que ninguém pode tirar de você.
O sucesso nunca será o resultado do acaso, porque não é mágica ou sorte, mas o trabalho árduo do sacrifício e do nível de entusiasmo.
O sacrifício é a porta de entrada para o sucesso, para o mundo e para a vida. A decisão de se levantar e seguir em frente atrás de suas melhorias e objetivos, é o que te levará, sempre, ao Sucesso.
Trabalho de pesquisa:
por Erelú Iyá Òsún Funké, Iyanifá Fun Mi Lolá
(Fatima Gilvaz)

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Mandato Mediúnico – Responsabilidades e Riscos da Mediunidade

Todos os homens são médiuns, diferindo somente quanto à maior ou menor sensibilidade na escala mediúnica.

Entretanto, aqueles que já manifestam sua faculdade mediúnica de modo ostensivo, nos quais se percebe a ocorrência de um “fenômeno incomum”, ou algo estranho que lhes domina a mente, a vontade, ou produz a perturbação psíquica, são criaturas necessitadas de um desenvolvimento mediúnico disciplinado e sob o controle de pessoas mais experimentadas.

Sem dúvida, trata-se de espíritos que já se reencarnaram comprometidos com a “mediunidade de prova”, e onerados por severas obrigações cármicas decorrentes de suas iniqüidades do passado.

Esses espíritos são agraciados pela bondade dos Mestres do Alto através da hipersensibilidade do seu perispírito, decorrente da intervenção dos técnicos siderais, e assim reencarnam-se com a “graça prematura” de participarem de um serviço extra e obrigatório no mundo físico, que lhes desperte a sensibilidade para os objetivos espirituais.

A verdade é que tanto os homens cultos ou ignorantes, ricos ou pobres, desde que sofram a insidiosa perturbação que lhes afeta o psiquismo e destrambelha os nervos, não passam de criaturas necessitadas de urgente socorro dos trabalhos espíritas, para se ajustarem novamente ao seu comando psíquico e se harmonizarem com seus velhos adversários do pretérito.

Alguns encarnados, cuja mediunidade às vezes reponta de súbito, com sintomas obsessivos, requerendo os cuidados urgentes de outros médiuns mais desenvolvidos, podem ter reencarnado com a obrigação cármica de abalar as convicções infantis ou ateístas de sua própria família carnal.

Desde que são responsáveis, no passado, por acontecimentos morais que levaram algumas criaturas ao desespero, à loucura ou até ao suicídio, eles se obrigam a suportar a “prova da obsessão” e lograr a sua cura posterior, com o fito de abalar as convicções de sua parentela carnal, que comumente são suas próprias vítimas de ontem.

Embora todos os homens sejam realmente mais ou menos influenciados pela atuação dos espíritos desencarnados, não se deve esquecer que também existem os espíritos bons, em tarefa benfeitora para com aqueles que na vida física buscam a sua reabilitação espiritual.

Mas é necessário ao homem renovar-se incessantemente na composição dos seus pensamentos e manifestações dos seus sentimentos, adestrando-se tanto quanto possível no curso superior da vida espiritual.

Aqueles que desejarem se livrar da companhia das entidades das sombras não podem descurar do seu apuro moral, do estudo superior e do seu controle emocional e mental sobre os desejos inferiores e as paixões violentas.

O médium não pode ser considerado uma criatura anormal, mas se trata, sem dúvida, de um indivíduo incomum, criatura inquieta, receptiva e algo aflita, que vive, por antecipação, certos acontecimentos.

A hipersensibilidade perispiritual do médium atua com veemência na fisiologia do seu sistema nervoso e endócrino.

O médium, portanto, em face de sua sensibilidade psíquica aguçada, enfrenta uma existência mais gravosa do que o homem comum, cumprindo-lhe desde cuidar da alimentação, até suportar mais intensamente os dissabores e as preocupações da vida humana, sofrer mais facilmente os efeitos das alterações climáticas e as preocupações da vida humana, pois o seu psiquismo é demasiadamente excitável.

Alguns médiuns, entretanto, são, por natureza, pacatos e sem qualquer característica excepcional, pois sua mediunidade, neste caso, é menos sensível no campo psíquico; enquadram-se nesta situação os médiuns sonâmbulos ou de efeitos físicos, cuja faculdade é de caráter fenomênico, só identificada e manifestada durante o transe.

A luta do médium para sobreviver no mundo físico é bem mais intensa do que a existência do homem comum.

1. OBSTÁCULOS E VICISSITUDES NO SERVIÇO MEDIÚNICO

Geralmente, o médium é um espírito em débito com seu passado, e a faculdade mediúnica ajuda-o a redimir-se, o mais cedo possível, no serviço espiritual em favor do próximo, lembrando uma pessoa que, depois de arrependida de seus desatinos, passa a empreender atividades benfeitoras, a fim de compensar o seu passado turbulento.

Então, além de suas obrigações cotidianas, sacrifica o seu repouso habitual e coopera nas iniciativas filantrópicas e nos movimentos fraternos, atende à parentela pobre, aos amigos em dificuldades, aos presidiários e aos deserdados da sorte, funda instituições socorristas, participa de agremiações educativas e auxilia sociedades de proteção aos animais.

É obvio que, apesar dessas atividades filantrópicas, os médiuns não se livram dos imperativos biológicos do seu corpo físico e a sua faculdade mediúnica, longe de constituir-se privilégio, não os isenta das vicissitudes e das exigências educativas da vida humana, pois a saúde ou a doença não dependem especificamente do fato de o homem ser ou não médium de prova.
Malgrado o esforço socorrista elogiável e as atividades religiosas ou caritativas de muitos médiuns, eles também estão submetidos ao trabalho comum e sujeitos igualmente ao instinto animal e às tendências ancestrais da família terrena.
O espírito que já renasce na Terra comprometido com o serviço mediúnico, que o ajudará a reduzir o fardo cármico do seu passado delituoso, deve cumprir o programa que ele mesmo aceitou no Espaço!

Aliás, quando o médium retorna ao Além, ele já se dá por muito satisfeito caso tenha desempenhado um mínimo de dez por cento do programa a que se comprometeu e foi elaborado pelos seus mentores siderais.

Deste modo, o espírito que em vida anterior zelou pelo seu corpo físico e viveu existência sadia, sem vícios e paixões deprimentes, obviamente há de merecer na vida atual um organismo sadio e de boa estirpe biológica hereditária, que lhe permite gozar boa saúde; mas aquele que no passado esfrangalhou o seu equipo carnal e o massacrou na turbulência viciosa, gastando-o na consecução dos apetites inferiores, terá um corpo físico dotado de funções orgânicas precárias.

A mediunidade de prova é um ensejo, espécie de “aval” concedido pelo Alto ao homem demasiadamente comprometido em suas existências anteriores, mas é do seu dever cumprir a tarefa mediúnica de modo honesto, sublime e caritativo, cabendo-lhe a responsabilidade moral na boa ou má aplicação dos bens cedidos pela magnanimidade dos seus guias.

O médium não é um missionário, na acepção exata da palavra, pois, salvo raras exceções, é um espírito devedor, comprometido com o seu passado, e a sua faculdade mediúnica é um ensejo de reabilitação concedido pelo Alto, no sentido de acelerar a sua evolução espiritual.

Portanto, além de dar cumprimento aos deveres inerentes à faculdade mediúnica, terá ele de enfrentar também as contingências que a vida impõe a todos, pois os problemas que lhe dizem respeito só podem ser solucionados e vencidos mediante a luta, e não pela indiferença ou preguiça, e nem pela ajuda dos seus guias, pois estes somente ajudam os pupilos que fazem jus, pelo esforço próprio empreendido.

Quando o médium se empenha em dar fiel cumprimento à sua tarefa mediúnica e enfrenta as adversidades da vida com estoicismo e resignação, sempre é assessorado no Astral por uma equipe de espíritos beneméritos, que o amparam a fim de tornar-lhe mais fácil vencer os obstáculos da sua jornada.
É grande a responsabilidade do médium na função de “ponte viva” entre o setor invisível e o mundo físico, pois, além de tratar-se de um encargo que ele mesmo aceitou antes de reencarnar, a mediunidade é um ministério ou contribuição de esclarecimento destinada a despertar e esclarecer as consciências, sendo pois um serviço em favor da própria humanidade.
A função do médium assemelha-se à do carteiro que, embora seja a peça de menor destaque na correspondência entre os homens, caso se recuse a cumprir a função de entregar as mensagens aos destinatários, semelhante negligência constitui uma falta bastante grave.

Em tais condições, desde que se rebele contra a sua obrigação ou se escravize a vícios e paixões que prejudiquem e inutilizem a sua tarefa mediúnica, então será vítima dos espíritos das sombras e, por sua culpa, enfraquecerá o serviço libertador do Cristo.

O aguçamento imaturo da mediunidade de prova muitas vezes leva o espírito a desenganos, malogros e rebeldias, tal qual o jogador de xadrez que, após muitos lances frustrados, vacila em mover no tabuleiro a peça de menor importância.

No entanto, o médium laborioso e desinteressado, disposto a vencer todos os obstáculos, conseguirá transpor todos os empecilhos do mundo, e até os que estão em si próprio, pois há casos em que o médium, apesar de alijado e quase paralítico, mesmo assim ele consegue reunir em volta do seu leito uma turma de irmãos dispostos a ouvirem a sua palavra fraterna e instrutiva, ligando todos à faixa vibratória sublime da Vida Angélica. Em suma, embora ele esteja impossibilitado de dar passes, participar de trabalhos de incorporação ou passar receituário, mesmo assim dá cabal desempenho à missão a que se obrigou.

À semelhança da bolota que se desenvolve no solo, sujeita a crescer naturalmente por efeito da sua dinâmica genética, o médium de prova sabe que se cultivar cuidadosamente a sua faculdade mediúnica, então também conseguirá tornar-se uma espécie de carvalho generoso, cuja sombra amiga beneficiará muitos viajantes necessitados de repouso.

Assim como o modesto veio d’água, nascido e vertido da encosta de uma cordilheira, depois de sulcar prodigamente extenso solo ressequido por onde passa, e contornar obstáculos imensos, se transforma em caudaloso e imenso rio, o médium também precisa transpor e vencer as pedras que surgem no caminho do seu aprendizado e aperfeiçoamento mediúnico.

No entanto, se quiser vencer mais facilmente as decepções e os desânimos na sua caminhada evolutiva sobre a face do planeta, o talismã milagroso para conseguir esse objetivo é integrar-se, de alma e coração, no roteiro luminoso do Evangelho de Jesus!

2. A FUNÇÃO REDENTORA DA MEDIUNIDADE E O ÊXITO NO SERVIÇO MEDIÚNICO

No aprimoramento mediúnico estão em jogo os elevados ensinamentos da vida evangélica, e a sua finalidade é a de proporcionar ao homem a sua mais breve libertação espiritual.

Entretanto, o êxito depende muitíssimo das condições morais e dos conhecimentos do médium, que deve se afastar de tudo aquilo que possa despertar o ridículo, a censura ou o sarcasmo sobre a doutrina espírita.

O médium desenvolvido, na acepção da palavra, é fruto de longas experimentações em favor do próximo!

Só o serviço desinteressado, a imaginação disciplinada e o equilíbrio moral-emotivo é que poderão garantir ao médium o sucesso nas suas comunicações com o Alto!
São dignos de censura os médiuns preguiçosos, que sentem estranho prazer em se conservar na mesma ignorância de quando iniciaram o seu desenvolvimento mediúnico.

O êxito do mandato mediúnico e a sua transparência espiritual exigem que os seus intérpretes, além do seu apuro moral, também despertem o seu comando mental e melhorem o seu intelecto.

O êxito no serviço mediúnico depende muito mais da renúncia, desinteresse, humildade e ternura dos seus medianeiros, do que mesmo de qualquer manifestação fenomênica espetacular, que empolga os sentidos físicos, mas não converte o espírito ao Bem.

A faculdade mediúnica, destinada a objetivos sublimes, bem mais importante e complexa do que o desempenho das profissões comuns do mundo, igualmente exige, na sua preparação, um roteiro inteligente, sensato e criterioso, sob o mais devotado carinho e desprendimento de seus cultores.

3. AS VICISSITUDES NO DESPERTAMENTO DA MEDIUNIDADE

Só a mediunidade saudável e natural, decorrente da evolução humana e fruto do maior apuro espiritual da alma, revela-se de modo sereno em sua espontaneidade e se manifesta de modo pacífico, como dom inato e sem produzir quaisquer sensações desagradáveis no ser.

Entretanto, no caso da mediunidade de prova, isto é, de uma “concessão” provisória, feita pela Administração Sideral, como decorrência de uma hipersensibilidade prematura, despertada excepcionalmente pelos técnicos do mundo astral com o fito de favorecer aos espíritos muito endividados, o seu despertamento é, em geral, sujeito a várias circunstâncias desagradáveis.

Durante o período de florescimento da mediunidade, a maior ou menor perturbação psíquica ou orgânica do médium também depende muitíssimo do tipo de suas amizades espirituais e do seu modo de vida no mundo material.

As alegrias, os sofrimentos ou as tristezas que o tomam de súbito também decorrem do tipo das aproximações do invisível, que se sintonizam perfeitamente aos seus pensamentos e sentimentos manifestos.

A tarefa mediúnica não compreende somente a função mecânica de o médium transmitir as comunicações dos espíritos desencarnados para o cenário terrícola, atendendo à prosaica função de “ponte viva” entre o mundo material e o Além.
O compromisso da mediunidade requer, sobretudo, que os seus medianeiros vivam existência digna e operosa na carne, a fim de lograrem sintonia com espíritos sublimes e responsáveis pela redenção do homem.
Toda imprudência, desleixo, rebeldia, má vontade ou paixão viciosa por parte dos médiuns em prova no mundo físico, geram toda sorte de distúrbios psíquicos e mesmo sofrimentos físicos incontroláveis que, por essa razão, tornam o desenvolvimento mediúnico um processo torturante.

É muito comum à maioria dos médiuns iniciarem o seu despertamento mediúnico sob a atuação dos espíritos sofredores, imperfeitos ou obsessores que, aproveitando-se da “porta mediúnica” aberta para a fenomenologia do mundo físico, atiram-se à satisfação dos seus objetivos impuros e cruéis.

Desde que o médium invigilante e desregrado ainda esteja comprometido por dificultoso resgate cármico, ele então se converte em instrumento favorável para o vampirismo dos desencarnados, que se debruçam avidamente sobre o mundo material.
A mediunidade, num sentido geral, só desperta nos homens pela ação do sofrimento, que lhes afeta a carne e o psiquismo, para depois amainar sob um desenvolvimento ordeiro nos ambientes evangélicos, dirigidos por elementos experimentados.

Só então é que o médium neófito e perturbado, pouco a pouco, se ajusta à tarefa incomum e assume o controle psíquico de seu corpo, enquanto procura sintonizar-se vibratoriamente com o espírito guia e benfeitor, que deverá protegê-lo na sua tarefa de intercâmbio com o mundo invisível.

A mediunidade é um meio para encarnados e desencarnados atingirem objetivos excelsos e, por isso, não dispensa a educação, o afinamento moral, a cultura do seu próprio intérprete, e também o seu despertamento espiritual.

É mais importante para o bom “guia” o progresso intelectivo, o desembaraço e a integração evangélica do seu médium, do que mesmo o êxito brilhante de sua manifestação mediúnica.

O mentor espiritual, sábio e sensato, muitas vezes protela as revelações extemporâneas do Além pelo seu pupilo ansioso do seu próprio destaque pessoal, para que este em primeiro lugar se revele pela modéstia sensata do homem evangelizado.

O médium, como uma criatura de responsabilidade pessoal para com a família e a sociedade, acima de tudo deverá aprender a caminhar pelos próprios pés, no tocante ao entendimento da vida imortal, e procurar ser útil ao próximo.

4. CONSUMO ENERGÉTICO E O EXCESSO DE TRABALHO MEDIÚNICO

O excesso de trabalho mediúnico, na forma de um labor prolongado, pode resultar em fadiga, que varia de indivíduo para indivíduo, conforme a maior ou menor capacidade física de sua resistência.

O médium, mesmo nos seus momentos de pura inspiração, consome certa quantidade de energias neurocerebrais, porque a mais sutil mensagem inspirada pelos espíritos exige uma série de operações intermediárias algo fatigantes, a fim de atingir a consciência física e depois se manifestar, por exemplo, na forma de palavra falada ou escrita.

Aliás, o próprio pensamento, para se manifestar a contento, depende do consumo de certas energias que o ajudam a atingir o cérebro material:

O INTERCÂMBIO MEDIÚNICO PELO PENSAMENTO COM OS DESENCARNADOS:

* Consome diversas substâncias energéticas da massa encefálica;
* Produz certa desmineralização do sangue;
* Reduz as cotas vitais magnéticas da rede nervosa;
* Mobiliza os hormônios necessários para ativar as glândulas do sistema endócrino e movimentar as cordas vocais (no caso da psicofonia) ou o braço do médium (no caso da psicografia).

Mesmo a mais singela meditação do homem eleva e excita sua tensão psíquica, mobilizando os elementos magnéticos do seu maquinismo carnal; isto acontece ainda que ele não sinta qualquer fadiga corporal.

Evidentemente, o intercâmbio mediúnico mais complexo exige maior consumo de energias do homem para o êxito dessa operação psicofísica, de alta intensidade e sob o comando do mundo oculto. No entanto, a intensidade do cansaço ou fadiga, no homem, também se manifesta de acordo com a resistência biológica e o controle emotivo da sua tensão mental.

Em conseqüência, o médium que se entrega à atividade mediúnica com sua mente descontrolada, embora permaneça sob a proteção dos espíritos amigos e benfeitores, nem por isso se livra da contingência das leis físicas que lhe disciplinam as atividades biológicas.

O Alto não exige do ser humano a carga de um “fardo” maior do que suas costas!
A faculdade mediúnica não é uma proposição atrabiliária, mas a oportunidade compensativa para o espírito endividado quitar-se consigo mesmo…

O médium desleixado, negligente, rebelde, ou que se exceda nos seus labores mediúnicos, agrava os seus equívocos de vidas anteriores!

5. OS EXCESSOS MEDIÚNICOS, AS DOENÇAS E A LOUCURA

Sem dúvida, a luta do médium para sobreviver no mundo físico é bem mais intensa e sacrificial do que a existência do homem comum, que apenas atende às contingências instintivas de cuidar da prole, que é fruto do cumprimento da lei do “crescei e multiplicai-vos”.

Como o espírito reencarnado na Terra não pode isolar-se completamente das contingências inerentes ao próprio meio em que o indivíduo, na sua vida de relação, está sujeito a hostilidades e emoções que lhe afetam o equilíbrio psíquico, é obvio que o exercício da mediunidade poderá causar-lhe até mesmo a loucura, desde que ele a exerça de modo insensato e ultrapasse o limite fixado no programa elaborado antes de sua encarnação.

O médium precisa agir com muita prudência na vida física, a fim de não confundir sua responsabilidade mediúnica com os acontecimentos naturais da vida material.

Embora ele seja protegido pelos amigos desencarnados, que lhe endossaram a tarefa mediúnica na Terra, eles não podem impedi-lo de modificar sua vida, quer tomando rumos inesperados perniciosos, quer tomando decisões insensatas, que podem levá-lo à loucura, por ultrapassar o limite de sua segurança espiritual.

Sabe-se que os ascendentes biológicos hereditários da carne conservam, em sua intimidade, em estado latente, os germens de taras, vícios, estigmas e enfermidades, como a sífilis, morféia ou tuberculose, inclusive os reflexos das alienações mentais sofridas pela geração ancestral.

No próprio conteúdo sanguíneo do homem permanecem os vírus morbígenos de sua linhagem hereditária que, quando se apresentam as condições favoráveis, acabam por proliferar além da sua quota normal ou inofensiva, podendo ferir o sistema neurocerebral.

Durante os estados de debilidade orgânica muito acentuada, agravados ainda pelo bombardeio incessante das paixões violentas, como o ódio, ciúme, inveja, raiva, perversidade e outras emoções indisciplinadas, o homem desenvolve em si um clima “psicofísico” negativo, que facilita o desenvolvimento de certas coletividades microbianas patogênicas, já existentes na sua intimidade sanguínea.

Assim, a loucura, nesse caso, não é propriamente fruto do exercício da faculdade mediúnica, mas sim uma conseqüência da predisposição mórbida do tipo orgânico do próprio homem.

Quer ele seja médium ou não, poderá enlouquecer desde que ultrapasse o limite de sua resistência biológica, quaisquer que sejam as causas.

Seja ele um compositor, matemático, pintor, filósofo, escritor ou líder religioso, pode vir a se tornar um alienado mental desde que atue além do limite de sua resistência psicofísica, findando sua existência transformado em paranóico, esquizofrênico e até psicopata furioso.

No entanto, isso pode acontecer sem que ele seja um médium espírita, mas sim por exercer atividades tensas e de emotividade contínua, as quais, superexcitando-lhe o íntimo da alma, terminam por afetar-lhe o equilíbrio dos órgãos cerebrais.

Em todas as pessoas que se desgovernam pelo excesso de elucubrações mentais quanto aos problemas complexos da ciência ou da arte superior, que lhes empolgava o espírito, a agudeza, a vivacidade que os dominava para expressar as suas emoções, terminaram por lhes destruir a saúde e prejudicar o intercâmbio pacífico com o mundo oculto.

Contudo, é evidente que, nesses casos, o gênio não se lhes extinguiu na alma imortal, cuja centelha divina, após a morte física, retorna ao seu equilíbrio, pois os conhecimentos adquiridos, com vistas a um ideal superior, jamais se perdem, pois são um patrimônio do próprio espírito.

6. O EXERCÍCIO DA MEDIUNIDADE PELO MÉDIUM ADOENTADO

Quanto ao médium doente ou perturbado, a sua cura positiva ou o exercício mediúnico sadio depende mais dos recursos sublimes da oração, da boa leitura espiritualista, assim como da freqüência a reuniões de caráter evangélico.

Caso ele, aflito e enfraquecido física e psiquicamente, tente os trabalhos mediúnicos, há de sentir-se ainda mais agravado pela sua excitação mediúnica; daí a necessidade de reconfortar-se no orvalho sedativo do Evangelho do Cristo!

Ele deve atender à sua saúde física, abster-se de bebidas alcoólicas, condimentos excitantes, entorpecentes e de sedativos, carnes, geralmente ingeridos a granel; caso contrário, será criatura assediada pelos espíritos glutões, gozadores e fesceninos, uma vez que o médium é porta aberta, em permanente contato com o Invisível.
Por isso, deve cultuar vida saudável e correta, que lhe preserve o corpo físico dos excessos esportivos violentos, cujas emoções dão motivo a desperdício do seu magnetismo terapêutico.

7. O DESENVOLVIMENTO PREMATURO DA MEDIUNIDADE NA CRIANÇA

Quando a mediunidade é prematuramente desenvolvida na criança, sob estímulos catalisadores ou exercícios medianímicos de contatos insistentes com os desencarnados, isso acaba por superexcitar a sua sensibilidade psíquica e causar-lhe distúrbios orgânicos.

Considere-se ainda que muitos fenômenos mediúnicos assemelham-se a acontecimentos da fisiologia humana, tais como a esquizofrenia, a paranóia, a histeria e a certos complexos freudianos, no que se pode erroneamente julgar tratar-se de um médium em potencial.

Por isso, é de todo imprudente provocar-se o desenvolvimento mediúnico da criança, mesmo quando julgado tratar-se de um médium em potencial.
A mediunidade é como a flor; deve desabrochar no momento próprio e não em estufa!
O organismo infantil é delicado e bastante influenciado pelo fervilhamento das forças biológicas que ainda lhe consolidam o maquinário neurocerebral.

As suturas, os contornos da carne de criança para a formação de sua figura humana, ainda dependem fundamentalmente das trocas simpáticas entre átomos, moléculas, células e fibras, cujo ritmo só se estabiliza depois da puberdade, quando o menino ou a menina se torna homem ou mulher.
A excitação psíquica inoportuna, as impressões mentais dramáticas, os choques emotivos ou as comoções imprevistas, tendem a alterar a segurança nervosa das crianças e podem causar-lhes desarmonias orgânicas, cujos reflexos prejudiciais afetarão a estrutura íntima do perispírito, ainda parcialmente afastado do corpo físico.

A mediunidade, portanto, é como a flor, que exige o cultivo somente no momento próprio do seu desabrochar.

É óbvio, entretanto, que a criança, que já é portadora de fenômenos incomuns, devido à faculdade mediúnica espontânea, ela os exerce como um fato inerente à sua própria pessoa, sem sofrer angústias ou aflições, produzindo-os sem esforços ou espanto, tal como ri, canta ou salta, o que para ela é manifestação natural de sua própria constituição ancestral.

É acontecimento que ela não discute, nem guarda prevenções, por considerá-los próprios da criatura humana.

Muitas crianças narram acontecimentos miraculosos sem demonstrar espanto ou receio, considerando como um fato natural à sua existência física, até mesmo as visões psíquicas que elas identificam; em conseqüência, depois de adultas, terminam por relacionar os fenômenos mediúnicos que viveram espontaneamente na infância, ligando-os então aos postulados doutrinários do Espiritismo, mas sem considerá-los indesejáveis ou fruto de distúrbio mental.

Como o intercâmbio mediúnico é serviço de grave responsabilidade espiritual, resulta, sem dúvida, de pouco sucesso quando entregue ao menino ou menina, ainda sem os compromissos próprios do adulto.

8. RISCOS DECORRENTES DA INATIVIDADE MEDIÚNICA

O médium de prova é um espírito que, antes de descer à carne, recebe um “impulso” de aceleração perispiritual mais violento do que o metabolismo do homem comum, a fim de se tornar um intermediário entre os “vivos” e os “mortos”.

Assim, é criatura cuja hipersensibilidade, oriunda da dinâmica acelerada do seu perispírito, o faz sentir, com antecedência, os acontecimentos que os demais homens recepcionam de modo natural.

Esse é o motivo porque o desenvolvimento mediúnico disciplinado e o serviço caritativo ao próximo proporcionam certo alívio psíquico ao médium e o harmonizam com o meio onde habita.

Tal qual um acumulador vivo, ele se sobrecarrega de energias do mundo oculto e depois necessita descarregá-las num labor metódico e ativo, que o ajuda a manter sua estabilidade psicofísica.

A descarga dessa energia excessiva, acumulada pela estagnação do trabalho mediúnico, não só melhora a receptividade psíquica, como ainda eleva a graduação vibratória do ser.
O fluido magnético acumulado pela inatividade no serviço mediúnico transforma-se em tóxico pesado na vestimenta perispiritual e causa desarmonia no metabolismo neuro-orgânico.

O sistema nervoso, como principal agente ou elo de conexão da fenomenologia mediúnica para o mundo físico, superexcita-se pela contínua interferência do perispírito, hipersensibilizado pelos técnicos do Espaço, e deixa o médium tenso e aguçado na recepção dos mínimos fenômenos da vida oculta.

Deste modo, o trabalho ou intercâmbio mediúnico significa para o médium o recurso valioso que o ajuda a manter sua harmonia psicofísica.

9. ABDICAÇÃO DO EXERCÍCIO DA MEDIUNIDADE

As criaturas que são médiuns e desistem de exercer a mediunidade devido à insuficiência de suas condições físicas, emotivas, financeiras e até morais, demonstram que não estão cônscias de sua responsabilidade espiritual.

Os médiuns nascem comprometidos para um serviço excepcional a favor do próximo, além de sua própria redenção, e isso é escolha feita livremente antes deles ingressarem na carne.

Imprudentemente, muitos esquecem esse compromisso severo e se entregam a todos os caprichos e vícios próprios do homem comum; deste modo, atravessam a existência terrena na figura do caçador de emoções e aventuras censuráveis, enquanto subestimam a mediunidade, que lhes pesa à conta de um fardo insuportável.

Embora sejam portadores de mensagem incomum, vivem presos aos preconceitos e às convenções tolas da sociedade terrena, pois transitam pelo mundo material, escravos das minúcias e das futilidades mais tolas.

Esquecendo a responsabilidade da faculdade mediúnica, eles vivem inconscientes do seu próprio destino espiritual elevado; em tais condições, negligenciam o seu labor mediúnico e desperdiçam tempo precioso entre companhias censuráveis e nos ambientes viciados.

Qual antenas vivas de maus fluidos, terminam saturados pelo desânimo, pessimismo e desconfiança, completamente derrotados diante das vicissitudes humanas.

São médiuns que encerram sua existência na condição de elementos improdutivos, gastos e desesperançados; excessivamente onerosos para o Alto, mesmo quando atendem ao mais singelo serviço mediúnico, eles exigem junto de si, a todo o momento, a presença de espíritos técnicos e cooperadores, que lhes devem cuidar da saúde periclitante, afastá-los dos lugares perniciosos e guiá-los às boas ações.

Em verdade, até para fazerem o Bem, falta-lhes o senso e a iniciativa própria!

No entanto, assim que se sentem higienizados pelos bons fluidos do Além, e assistidos pelos seus guias, eis que novamente relaxam sua vigilância e defesa psíquica, para retornarem às mesmas condições perniciosas anteriores.

Em conseqüência, o recurso mais prudente a ser providenciado pelo Alto é o de afastá-los definitivamente do serviço mediúnico ativo, pois, em caso contrário, serão vítimas da superexcitação nervosa que lhes causará ainda coisa pior.

10. FRACASSOS E ABUSOS NO EXERCÍCIO MEDIÚNICO

Ainda é grande a porcentagem dos médiuns que fracassam no exercício da mediunidade, após terem gozado o prestígio de faculdade mediúnica incomum.

Não é propriamente a posse antecipada da faculdade mediúnica o motivo responsável pelo fracasso muito comum de alguns médiuns em prova na matéria; isso é mais conseqüente de sua imperfeição ou contradição espiritual.
O médium, em geral, é espírito que decaiu das suas posições privilegiadas do passado, sendo ainda muito apegado à sua personalidade humana transitória; deste modo, ele subestima a transcendência dos fenômenos que se processam por seu intermédio e os considera, erroneamente, mais como produto exclusivo de sua vontade e capacidade mental.

Embora muitos médiuns sejam inteligentes e mentalmente desenvolvidos, o orgulho, a vaidade, a ambição, a prepotência, a cupidez ou a leviandade ainda os fazem tombar de seus pedestais frágeis, porque falsamente se crêem magos excepcionais ou indivíduos de poderes extraordinários para a produção de fenômenos extemporâneos ou revelações incomuns.

A Terra ainda é pródiga de magos de feira, curandeiros mercenários ou iniciados sentenciosos que, através de rituais extravagantes, atraem e exploram as multidões ignorantes.

São verdadeiros “camelôs” da espiritualidade que, beneficiados pela graça mediúnica concedida pelos espíritos benfeitores, exploram-na sob o disfarce da magia ou dos poderes esotéricos, mas sempre evitando a disciplina espírita que, sem dúvida, lhes exigiria conduta ilibada e o absoluto desinteresse pecuniário no trato das coisas espirituais.

Entretanto, chega o momento em que eles são atingidos em cheio pela Lei Sideral, que lhes estanca a exploração do veio aurífero da mediunidade a serviço do comércio indigno e dos interesses pessoais, e assim terminam os seus dias sob terrível humilhação espiritual, sofrendo as agruras do mau emprego dos favores concedidos pelo Alto.

Muitas lendas terrenas são verdadeiros simbolismos e alusões ao mau uso dos dons mediúnicos, quando certos médiuns traem a confiança dos seus mentores siderais.

A tradição lendária narra o caso de criaturas que, depois de favorecidas com poderes excepcionais concedidos por anjos, fadas ou gênios benfazejos, terminam perdendo-os lastimavelmente pela avareza, cupidez, vaidade, desleixo ou interesse mercenário.

Sem dúvida, tais narrativas não passam de lendas e contos fantásticos, mas em sua profundidade permanece o ensinamento espiritual do fracasso daqueles que fazem mau uso dos talentos que os gênios do Bem concedem aos espíritos endividados, e que necessitam urgentemente de sua própria reabilitação espiritual.

No entanto, a faculdade mediúnica pode desaparecer a qualquer momento, desde que o seu portador a comprometa na Terra, para satisfazer sua vaidade ou obter proveitos ilícitos.
A nenhum médium é facultado servir-se da mediunidade para o seu uso exclusivo ou aproveitamento excêntrico, nem expô-la em público na forma de tábua de negócios, pois é também um dos talentos concedidos por Deus a seus filhos, tal como ensinou Jesus em suas parábolas.

As forças psíquicas tanto se degradam na manifestação espetacular, que só exalta a personalidade humana transitória, como se deturpam quando são transformadas em mercadoria destinada a criar todas as facilidades ou atender aos caprichos da vida física.

Os valores legítimos da faculdade mediúnica, quando são desenvolvidos e praticados com o Cristo, não produzem quedas e as humilhações que abalam a vida tumultuosa dos médiuns imprudentes.

O médium, como instrumento fiel da vontade do Senhor, revelada no mundo das formas, elabora um dos piores destinos para o futuro quando, pela sua negligência ou má fé, subverte o programa espiritual que prometeu divulgar à superfície da Terra.

Há sempre atenuante para aquele que peca por ignorância, mas é indigno da tolerância quem o faz deliberadamente, depois de haver-se comprometido para a efetivação de um serviço que diz respeito ao bem de muitas criaturas.

Os mentores siderais só concedem a faculdade mediúnica para os espíritos que se prontificam a cumprir leal e corretamente, na Terra, todos os preceitos e normas necessárias para um aproveitamento espiritual em seu favor e em favor da humanidade.

Os espíritos endividados rogam aos técnicos siderais a sua hipersensibilização perispiritual, para então desempenharem um serviço mediúnico que promova o ressarcimento de seus débitos clamorosos do passado.

No entanto, estes não podem prever antecipadamente a ganância, a vaidade, a subversão ou a desonestidade dos seus pupilos quando, depois de encarnados, se deixam fascinar pelas tentações, vícios e convites pecaminosos que os fazem fracassar na prova da mediunidade.

Em geral, depois de encarnados, deixam-se influenciar pelas vozes melífluas dos habitantes das Trevas e passam a comerciar com a mediunidade à guisa de mercadoria de fácil colocação.

Sem dúvida, quando percebem sua situação caótica espiritual, já lhes falta a condição moral e o potencial de vontade para o seu reerguimento ante o abismo perigoso.

Nenhum espírito encarna-se na Terra com a tarefa obrigatória de ser médium psicógrafo, mecânico, incorporativo ou de efeitos físicos, pois, na verdade, cada um o faz por sua livre e espontânea vontade, pois solicitou previamente do Alto o ensejo abençoado para redimir-se espiritualmente num serviço de benefício ao próximo, uma vez que no pretérito também usou e abusou dos seus poderes intelectuais ou aptidões psíquicas em detrimento alheio.

Mesmo na Terra, as tarefas mais perigosas devem ser aceitas de modo espontâneo, para que o seu responsável não venha a fugir posteriormente de cumpri-la por desistência pessoal, e, sem dúvida, a escolha do serviço perigoso sempre recai sobre o homem mais apto e capacitado para o bom êxito.
Em especial, a mediunidade de fenômenos físicos é um serviço incomum, difícil e perigoso, cujos óbices vultosos e surpresas exigem o máximo de prudência, humildade, e segurança moral.

O médium, antes de encarnar-se, sabe disso e se depois vem a comerciar com os bens espirituais e fracassar no desempenho contraditório de sua função elevada, tal fato não pode ser creditado ao Alto, que só lhe proporcionou o ensejo redentor.

A culpa, evidentemente, cabe ao próprio fracassado ante a sua imprudência em aceitar tarefas mediúnicas acima de sua capacidade normal de resistência espiritual.
As oportunidades mediúnicas redentoras são concedidas aos espíritos faltosos, mas quanto à responsabilidade do êxito ou fracasso, somente a eles deve ser atribuída, pois é o médium quem produz as próprias condições gravosas ou ditosas no desempenho de sua tarefa mediúnica.

A mediunidade de prova não se refere propriamente à concessão de faculdades mediúnicas prematuras ou poderes concedidos extemporaneamente, pelos mentores da Terra, aos homens imaturos ou que ainda não se encontram espiritualmente seguros de cumpri-las.

Às vezes, estes não passam de antigos magos que dominavam facilmente as forças ocultas, exerciam o fascínio sobre os elementais e usavam de hipnose para fins interesseiros, tal como no caso de Rasputin, que se aproveitou dos seus objetivos torpes, como instrumento vil das trevas.

Quando tais espíritos retornam à carne para tentar a sua renovação espiritual manejando os mesmos poderes que desvirtuaram no passado, mas sob a promessa de só os empregar a favor do Bem, nem sempre logram sustentar por muito tempo o tom espiritual elevado que lhes é requerido pelos mentores siderais.

O coração atrofiado e a mente aguçada pela vontade poderosa, que é exercitada em vidas anteriores, traem esses espíritos no trabalho mediúnico do Bem, caso não se curvem humildes e desde o princípio de sua tarefa sob os postulados redentores do Cristo.

Quando os responsáveis pelo progresso do orbe verificam a inutilidade de conservá-los no serviço ativo da seara, vêem-se obrigados a alijá-los de qualquer modo, a fim de que cessem os graves prejuízos decorrentes de sua atividade descontrolada.

Mas Deus sempre concede a oportunidade de renovação moral e do trabalho digno a todos os seus filhos, e a prova mais evidente disso é que aqueles que presentemente já esposam princípios espirituais dignos e superiores devem isso à bondade divina, que tolerou as suas iniqüidades do pretérito, concedendo-lhes também a graça do serviço redentor tantas vezes quantas foram os seus equívocos.

Em verdade, os pecadores são justamente aqueles que mais precisam de Amor, tanto quanto os enfermos necessitam do médico.

Desde que do lodo pode surgir o lírio imaculado, é óbvio que dos lábios dos homens impuros também é possível nascerem a esperança e o roteiro para os seres desarvorados na estrada da vida humana.

E se Deus, o Criador do Universo, que deveria exigir do homem o máximo de submissão e acatamento aos objetivos sublimes de Sua Obra, multiplica os ensejos de sua mais breve redenção espiritual, sem dúvida, a sua criatura não tem o direito de odiar, maltratar, roubar, e execrar o seu próprio irmão de destino sideral.

Eis porque motivo o grande sucesso de todo médium, fenomênico ou intuitivo, ainda se fundamenta num único compromisso incondicional: cultuar sua mediunidade com o Cristo e tornar-se um trabalhador ativo na seara do Mestre.

Não basta ver, ouvir e sentir espíritos em seu plano invisível.

O médium, em qualquer hipótese, deve ser o homem que, além de contribuir para a divulgação da imortalidade do espírito na Terra, é cidadão comprometido pelos deveres comuns junto à sua coletividade encarnada, onde só a bondade, o amor, o afeto, a renúncia e o perdão incessante podem livrá-lo das algemas do astral inferior.

Considerando que a faculdade mediúnica de “prova” ou de “obrigação” é sempre o acréscimo que o Alto concede ao espírito endividado para conseguir a sua reabilitação espiritual, sob hipótese alguma deve ela ser negociada ou vilipendiada.

É o serviço de confiança que o médium exerce em favor alheio, sem deixar de cumprir todas as suas obrigações para com a família, a sociedade e os poderes públicos.

Os mentores siderais não lhe exigem o sacrifício econômico da família, a negligência educativa da prole, o descuido com as necessidades justas da parentela, para só atender indiscriminadamente ao exercício da sua faculdade.

Cada médium, como espírito em evolução, conduz o seu próprio fardo cármico gerado no pretérito delituoso, o que também lhe determina as obrigações em comum no lar, onde vítimas e algozes, amigos e adversários de ontem empreendem o curso de aproximação espiritual definitiva.

Assim é que, em última hipótese, deve prevalecer sobre o serviço mediúnico o cumprimento exato das determinações cármicas que lhe deram origem à existência na matéria.

Considerando-se que o mundo de César é o reino transitório dos interesses da vida material para a educação do espírito imperfeito, o dom mediúnico é a dádiva espiritual do reino do Cristo, e não mercadoria de especulação mundana.

11. CONSEQUÊNCIAS DO MAU USO DA MEDIUNIDADE

Há médiuns poderosos, que produzem fenômenos incomuns e curas extraordinárias e que, no entanto, mercadejam com sua faculdade mediúnica, enquanto há outros que são escravos dos vícios mais comuns.

Quantas vezes as autoridades públicas do mundo material também credenciam determinados indivíduos para desempenharem serviços de importância em favor do povo, porque os julgam homens de bons propósitos, honestos e leais?

No entanto, comumente eles enodoam o seu trabalho e traem a confiança dos seus superiores, deixando-se tentar pela cobiça, avareza ou fortuna fácil, terminando por cumprir desonestamente aquilo que lhes fora solicitado para o bem comum!

O mandato mediúnico, que autoriza o seu outorgado a prestar um serviço útil à coletividade encarnada, também lhe beneficia o espírito imperfeito, por cujo motivo é compromisso que deve ser executado com toda a dignidade e elevação moral.

Aceitando a tarefa mediúnica de suma importância para si e para o próximo, é evidente que o médium fica responsável por qualquer desvio ou perturbação que venha a produzir durante o exercício de sua tarefa no mundo profano.

Mas é evidente que os anjos do Senhor, por serem almas repletas de ternura e amor, sempre guardam suas esperanças na corrigenda ou renovação dos espíritos que, embora sendo imperfeitos e culposos, são convocados ao serviço espiritual superior da mediunidade no mundo físico.

Assim, eles não os privam subitamente da faculdade que os põem em contato com o mundo espiritual; multiplicam-lhes as oportunidades de recuperação das novas faltas e os ajudam a sanar os deslizes cometidos no seio da doutrina que os apóia na carne.

Paradoxalmente, quais árvores nutridas de seiva arruinada, esses médiuns ainda continuam a dar bons frutos, mas ignoram que é o generoso “toque” angélico, que tudo higieniza e sublima, o que realmente promove as curas e garante as revelações sadias.

Cegos pela vaidade de se julgarem auto-suficientes, capazes de tudo realizar na suposta independência de qualquer comando invisível, abdicam da vigilância e do bom senso, imunizam-se à vibração angélica e tombam fragorosamente no lodo de suas próprias imprudências.

Infelizes e orgulhosos, não conseguem perceber quando também “muda” a presença oculta que os protegia; quando se retira o anjo e em seu lugar surge a figura maquiavélica e astuta do gênio das sombras!

Dali por diante, há um “dono” e não um “guia”; em lugar do orientador terno e tolerante, que a todos os equívocos e interesses inconfessáveis do médium apunha o selo da sua responsabilidade espiritual, surge a alma cruel, daninha, orgulhosa e viciosa, que exige, domina e castiga!

Desaparece o anjo amoroso, que conduz as almas para o reino da Luz, e se manifesta o senhor de escravos, que depois arrasta do túmulo o espírito imprevidente para as regiões das trevas!

Esse o fim dos médiuns que, depois de agraciados por destacados poderes espirituais no trato do mundo físico, para o bem de si e da coletividade encarnada, terminam enodoando sua tarefa com a vileza da negociata impura e carregando a desconfiança e a hostilidade para o serviço mediúnico.

O sofrimento dos médiuns que não cumprem o seu mandato espiritual dignamente na Terra, e que eles mesmos requereram para a sua própria redenção, bem antes de se reencarnarem, negligenciando seus compromissos espirituais, não é imposto pelo Alto, à semelhança dos julgamentos da justiça humana.

Embora não lhes seja aplicado deliberadamente nenhum castigo determinado pelas autoridades sidéreas, as suas condições vibratórias demasiadamente confrangedoras e o remorso cruciante, devido ao desrespeito à confiança angélica, são suficientes para vergastar-lhe a consciência e maltratar-lhe a alma angustiada.

Depois que despertam no Além e reconhecem, à luz meridiana de sua consciência espiritual, os enormes prejuízos que causaram na consecução do elevado programa organizado pelos espíritos benfeitores, os médiuns delinqüentes se tornam ainda mais infelizes, verificando a necessidade de recomeçar novamente a mesma tarefa na Terra, não só em piores condições, como ainda deserdados do endosso angélico de que abusaram negligentemente.

E como ainda á extensa a fila dos espíritos desencarnados aguardando novos corpos físicos para uma reabilitação espiritual que lhes amaine as dores perispirituais e lhes olvide o remorso das vidas pregressas mal vividas, esses médiuns perdulários e faltosos terão de permanecer muitos anos no mundo astral, a meditar nas suas desditas e sofrer o efeito de suas mazelas íntimas.

Fontes bibliográficas:

1. Mediunismo – Maes, Hercílio. Obra mediúnica ditada pelo espírito Ramatís. 5ª ed. Rio de Janeiro, RJ. Ed. Freitas Bastos, 1987, 244p.

2. Elucidações do Além – Maes, Hercílio. Obra mediúnica ditada pelo espírito Ramatís. 6ª ed. Rio de Janeiro, RJ. Ed. Freitas Bastos, 1991.

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