Os Boiadeiros

Os Boiadeiros utilizam chapéus de vaqueiros, laços de corda, chicotes de couro, normalmente chegam girando a mão ou batendo no peito. Com cantigas e ritmos diferenciados dos caboclos na Umbanda, os Boiadeiros enchem de alegria os terreiros com sua forma típica sertaneja. Alguns gostam de ser chamados de Vaqueiro, Laçador, Peão Valente, Tocadores de Viola, etc. Genuinamente mestiço das misturas do índio, branco e negro, Os Boiadeiros representam a própria essência brasileira com costumes, crendices, superstições e muita fé.
Os Boiadeiros também são conhecidos como “Encantados”, pelo povo da região nordeste. São trabalhadores e defendem a todos das influências negativas com muita garra e força espiritual.
Sabem que a prática da caridade os levará a evolução, trabalham incorporados na Umbanda e em algumas nações do Candomblé. Fazem parte da linha de caboclos, mais na verdade são bem diferentes em suas funções. Formam uma legião mais recente de espíritos, pois já viveram mais com a modernidade do que os caboclos, que foram povos primitivos. São rudes nas suas incorporações, com gestos velozes e pouco harmoniosos. Sua maior finalidade não é a consulta como os Preto-velhos, e sim o “dispersar de energia” aderida a corpos, paredes e objetos. É de extrema importância essa função, pois enquanto os outros guias podem se preocupar com o teor das consultas e dos passes existe essa legião “sempre” atenta a qualquer alteração de energia local (entrada de espíritos).
Quando bradam alto e rápido, com tom de ordem, estão na verdade ordenando a espíritos que entraram no local a se retirar, assim “limpam” o ambiente para que a prática da caridade continue sem alterações. Esses espíritos atendem aos boiadeiros pela demonstração de coragem que os mesmos lhes passam e são levados por eles para locais próprios de doutrina.
Em grande parte, o trabalho dos Boiadeiros é no descarrego e no preparo dos médiuns. Os fortalecendo dentro da mediunidade, abrindo a portas para a entrada dos outros guias e tornando-se grandes protetores, como os Exus.
Outra grande função de um boiadeiro é manter a disciplina das pessoas dentro de um terreiro, sejam elas médiuns da casa ou consulentes. “Gostar” para um boiadeiro é ver no seu médium coragem, lealdade e honestidade, aí sim é considerado por ele “filho”. Pois ser filho de boiadeiro não é só tê-lo na coroa.
Dentro dessa legião a diversidade encontra-se na idade dos boiadeiros. Existem boiadeiros mais velhos, outros mais novos, e costumam dizer que pertencem a locais diferentes, como regiões diferentes principalmente o norte, nordeste e centro-oeste. Os Boiadeiros representam a própria essência da miscigenação do povo brasileiro: nossos costumes, crendices, superstições e fé.
A legião dos boiadeiros é uma das mais conhecidas e uma das mais importantes linhas de Umbanda, devido a importância e necessidade de se desenvolver e trabalhar com essa maravilhosa legião.
A legião dos boiadeiros é composta por espíritos que em vida eram homens que trabalhavam com gado, guiando suas boiadas nas comitivas.
Essa entidade é muito requisitada em trabalhos de desobsessão, pois laçam esses obsessores e os levam as zonas socorristas.
Segundo pesquisa de Estudiosos de teologia umbandista foi relatado que existem algumas “categorias” de boiadeiros,entre elas :
–Boiadeiros laçadores : boiadeiros que,quando estão em terra giram o braço como se estivessem com um laço na mão (e realmente estão!), são estes os boiadeiros que laçam os kiumbas.
–Boiadeiros de berrantes: boiadeiros que,quando em terra costumam soltar um brado forte e vibrante, estes com seu brado, afastam os kiumbas e dissolvem qualquer miasma de negatividade que possa estar ou no local ou com alguém que esteja no local.

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O povo d’água na Umbanda

Encontramos na linha de Yemanjá, ou povo d’água, espíritos altamente evoluídos, de vibrações sutís, mas que se apresentam com a roupagem fluídica de caboclas, dentro da vibração do Orixá Yemanjá. Nesta grande e poderosa Linha de trabalho, militam espíritos altamente benevolentes (Madres, Freiras, etc…), envoltos na grande força mantenedora que é o AMOR. Buscam a elevação vibratória do ambiente, como também das pessoas através dos cantos por elas emitidos como em seus passes magnéticos, atuando diretamente no chacra cardíaco de todos, transformando energias e pensamentos densos em energias sutis.
Trabalham diretamente com o elemento água, símbolo da vida. Na Umbanda são chamadas de “Mamãe sinda” que significa Mãe zelosa, que cuida, ampara os filhos.
O coração símbolo universal do AMOR, representa esta linha. Geralmente em suas incorporações rodopiam seus médiuns, e ou fazem gestos circulares com as mãos criando assim um espiral de energia, sugando as densidades energéticas do ambiente. É comum usarem copos com água e flores, que magnetizados se transformam em ferramentas de trabalho.
Falam somente o necessário, não dão consultas,trabalham emitindo um canto, que na verdade é a sonorização de um poderoso mantra aquático, diluidor de energias, vibrações e formas-pensamentos que se acumulam dentro dos centros ou nos campos vibratórios dos médiuns e dos assistentes.
É uma linha poderosa, mas pouco solicitada para os trabalhos.
São ótimas para anular magias negativas, afastar obsessores e espíritos desequilibrados ou vingativos.
Também são poderosas se solicitadas para limpeza de lares e para harmonização de casais ou famílias.


Pai Alex de Oxaguiã

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O peso da mediunidade

“Se vocês desenvolvem a parte espiritual, se querem aprender a receber a sintonia – seja dos caboclos, pretos-velhos, ou qualquer das falanges trabalhadoras da Lei da Pemba – devem também aprender que efeito isso traz se o médium não está preparado. Não basta só a fé e a boa intenção, mas a consciência também é necessária. Consciência de que a verdadeira sintonia com o plano astral, no sentido de atendimento em prol da caridade, tem que ser baseada na disciplina, disciplina, disciplina – setenta e sete vezes. É muito bonito o fenômeno espiritual – a paz que os mentores nos trazem, o carinho, a amizade, a dedicação, as curas – mas a disciplina e essa consciência têm que ser exercitadas sempre, sempre. O Rabi da Galiléia disse: “orai, mas vigiai” – essa vigília deve existir sempre. Quando uma pessoa está para ser atendida por um espírito, ela está depositando toda a fé dela na solução do problema que ela traz ali, naquele momento. No momento quando vou atender uma pessoa, ela vai jogar para mim toda a responsabilidade do problema e o que eu falar, ela vai fazer.

Agora: o espírito é a água e o médium, a jarra. Se a jarra está suja, a água vai sair suja.

Temos que ter essa consciência porque ela vai agir na sua coroa, tanto na mediunidade consciente quanto na semi-consciente. Mesmo se o médium tem a semi-consciência total, a responsabilidade também é dele. “Ah, mas eu não me lembro.” Você não lembra, mas você está atuando, na sua parte espiritual. Não existe o fenômeno sem a passividade mediúnica.Com o coração envolvido de amor e olhando no próximo uma pessoa que precisa de evolução, nós podemos chamar as nossas entidades e atender. Mas devemos ter o cuidado, junto aos nosso guias, de sempre motivar a pessoa para o progresso e para a evolução. O espírito nunca define a situação para ninguém, isso seria uma transgressão do livre-arbítrio de cada um. O médium deve ter cuidado, porque as pessoas perguntam e perguntam muito. Elas querem saber de tudo, elas querem a resposta “certa”. Elas querem tirar delas mesmas a responsabilidade dos seus próprios atos, inconscientemente, mas é isso que acontece: “eu posso fazer, mas o espírito não me falou pra fazer.”

Em todo o setor, o livre-arbítrio é uma lei, seja nos sentimentos, seja nos problemas materiais.

Lembrem sempre, meus filhos, da vigilância e da disciplina, sempre.

Vamos nos livrar da vaidade, a vaidade que leva o médium ao ponto de pensar que, sem ele, não haveria trabalho mediúnico; que se não fosse ele…, que por causa dele…, assim você começa a se distanciar dos verdadeiros princípios do amor. A humildade é a base. A principal coisa que o médium tem que aprender é amar, amar. “Amai-vos uns aos outros”, como o Rabi vos amou.

Que Ogum, com sua força, com suas armas, possa defender o caminho e o propósito de cada um. Que a força desses lanceiros possa iluminar esse trabalho.”

Espírita USA- Palavras do Senhor Exu Pinga Fogo

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Ose

Meu filho, chegue cedo, você precisa dormir no Ilé Asè, precisa descansar seu corpo! Hey menina, não fique de conversa, seu momento agora é com seu Òrìsà! Ìyáwò, vá ali, bata nos pés de seu irmão pra ele acordar, sem conversar pra começar o Ose! Nossa, que benção pra esta casa, todo mundo aqui reunido hoje, Asè!!!
Muito se fala a cerca deste assunto e que, principalmente, muito tem se perdido, é importante refletir, é importante resgatar! A princípio muitos precisam aprender, em primeiro lugar o significa do termo yoruba “Ose”. A palavra ou termo “Ose” significa ao pé da letra “Dia Santo”, ou “Período de intermédio entre um dia santo e outro”. É isso mesmo, a palavra às vezes tem mais significado e traduz o que realmente um ato, do que o que realmente tem acontecido nos Candomblés.
É importante tomar conhecimento que este é um dia santo, o dia de cuidar do sagrado, agendar, se programar, estar ali. Neste dia devemos dormir no Ilé, devemos descansar nosso corpo, estarmos concentrados e entregues aos cuidados com nosso Òrìsà, além disso neste dia, agindo de forma organizada é feito também um Café da Manhã em família, onde confraternizamos com a nossa família, com nossos irmãos, quer algo melhor do que uma família unida e feliz?
É preciso entender que, o Ose não é uma coisa ruim, seja em um dia agendado, seja no pré-“Oro n’pa” ou no pós-“Oro n’pa” é função de todos, além do que, é um momento pra se ter um carinho especial com seu Òrìsà, e com certeza, absorver muito Asè com isso.
É inadmissível que um Ose aconteça com os filhos de santo batendo papo e falando do cotidiano da rua, é preciso concentração, entrega, respeito. Pense sempre como se fosse um banho comum, um banho é algo íntimo, é um momento em que muitos de nós refletimos, relaxamos! Portanto, devemos repensar e respeitar isso. Este é um momento de zelo, que devemos agradecer, cuidar!
O Ose é um momento único, onde zelamos por nosso Òrìsà, onde nos reunimos com nossa família depois e temos um momento feliz ao lado de todos. Precisamos valorizar isso, até mesmo mais que uma festa pública, pois é um momento nosso!

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Vestimentas

Minha filha, por que este colorido todo? Com 7 anos vai usar o que? Meu filho, por amor as Ayabas, tire este pano da costa, homem não usa isso! Hey, egbon mi, não aprendeu que sua saia tem que ter fitas, cade a tradição? Minha nossa, pra que esta bata deste tamanho, nem idade você tem criatura!
Assunto polêmico, sim. Mas não podemos fazer vista grossa para o que vem acontecendo com o candomblé e suas vestimentas. É preciso refletir, repensar sobre tudo. O candomblé tem condições hierárquicas a serem respeitadas, e a vestimenta dos adeptos distinguem isso, com a vestimenta correta, sabemos quem é quem, sabemos sua posição no candomblé, sabemos por vezes, até mesmo sua família de Òrìsà e se seu Òrìsà é feminino ou masculino.
O Candomblé já vem sendo tão banalizado e desrespeitado, é necessário prestarmos mais atenção a essas coisas, será possível reclamarmos sobre o que nos apontam sem estarmos devidamente organizados e de acordo com as tradições? Será possível que nos respeitemos, sem sabermos quem somos? Precisamos ficar atentos a isso, senão cada vez se perde mais. Não adianta apenas ficarmos dizendo “o Candomblé está acabando”, é preciso fazer com que as mudanças aconteçam, é preciso lutarmos por um Candomblé melhor!
Um Abiyan, deve ter suas roupas simples, sem aviamentos, sem nada de luxo, apenas sua roupa branca, sem muita identidade, pois o mesmo ainda não possui identidade nenhuma antes de sua iniciação, não vamos entrar em muitos detalhes pelas casas de candomblé terem suas particularidades, mas acreditamos que não se deve fugir muito disso.
Um Ìyáwò, até sua obrigação de um ano, usa branco, sua roupa já possui um pouco de “enfeites”, porém nada pesado, é preciso ter identidade. As fitas, tradição do candomblé devem estar de acordo para distinguir se o Òrìsà é feminino ou masculino, pano da costa sempre, pano de cabeça sempre. Homem calça branca, “batinha” simples branca, homem nunca usa pano da costa. Pano de cabeça também é um assunto polêmico em homens, porém deve-se dizer que nas casas tradicionais não se usa.
Após obrigação de um é que é permitido uma “corzinha” clara nas roupas, um pouco mais de detalhes, mas sem exageros também. Apenas após a obrigação de três anos tomada é que uma Ìyáwò pode começar a usar mais cores, mas precisa ter identidade, sem muita ousadia nas vestimentas, pois ainda não tomou seus sete anos.
Após os Sete anos, é que a pessoa pode usar roupas cabíveis às suas idades. Existe a particularidades de cada Asè, existem Asè em que todas podem usar batas, existem Asès que apenas a Ìyálòrìsà é quem usa, não entraremos neste detalhe para não conflitar.
O mais importante é observarmos a identidade que as roupas trazem, é necessário rever isso, pois se as vestimentas perderem sua identidade, o Candomblé também está perdendo a sua. É preciso refletir muito sobre isso, se informar em suas casas e procurarmos seguir as tradições vividas por nossos ancestrais.
Precisamos saber que nossas vestimentas estão ligadas a etnia religiosa e não a blocos carnavalescos, é errado pensar que “barracão é folclore”, não, não é, barracão é lugar de louvação aos nossos Òrìsàs, é lugar sagrado também. Devemos respeitar os dogmas e o que foi deixado, senão estes sim (nossos ancestrais) se afastarão de nós.
O que prejudica muito neste quesito, é a auto-formação Sacerdotal que vemos hoje, é lamentável, pois para ocupar esta posição é necessário aprender, muito mais que 16 odus e meia dúzia de cantigas de livros. Isso é muito lamentável. Vemos hoje pessoas com batas enormes e muitas vezes negligenciando o pano da costa. O pano da costa deve ter muito mais destaque que uma bata, sua importância para o candomblé é muito alta. A bata grande, a bata que mais parece uma cortina, só vai deixar a pessoa mostrar que pouco aprendeu sobre candomblé. Existe um velho ditado que diz: “Quanto maior a bata, maior a burrice”.
Vamos refletir, pensar e repensar!! Este é um fator de suma importância para a melhora do candomblé!

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Fio de contas

Meu filho, onde você vai com este fio enorme no pescoço, você não arriou nem um ano ainda! Minha filha, desde quando você, sendo de Sàngó pode usar um fio desse? Meu Pai hein, você abiyan já com isso tudo imagina quando chegar nos 7 anos???
Bom, primeiramente é muito triste que este tipo de pergunta ou indagação acima tenha que acontecer, mas infelizmente é comum hoje em dia no candomblé, e mais triste ainda é quando nem se existe a pergunta ou indagação, pois cada um acaba usando aquilo o que acha que o deixará mais “bem apresentável” e infelizmente se esquecendo da real tradição de um fio de conta.
Um fio de contas não é a toa, um fio de contas tem seus significados e os seus porquês. É preciso se informar, conhecer as tradições de um Asè para usar os fios de contas apropriados a cada um. O fio de contas pode identificar de longe um abiyan, ìyáwò, egbon, e até uma Ìyálòrìsà. Além disso um fio de contas é capaz de dizer qual sua família de santo, descrever qual seu Òrìsà e tudo mais, não é bacana sair fora dos padrões do Candomblé, o Candomblé é uma religião de muita organização e identidade, se isso se perde, toda a sociedade candomblecista perde, pois passamos a viver em uma sociedade religiosa desorganizada, e sabemos qualquer sociedade desorganizada não perdura.
Determinados fios de contas determinam inclusive quem a pessoa é, de forma hierárquica, na religião. Por exemplo, é inadmissível um Abiyan usar aqueles colares ou pedrarias em seu pescoço, Abiyan usa mesmo, o que o seu próprio nome já diz, o fio simples de uma só volta. Um de Osala e um de Yemoja, onde reverenciamos, respectivamente Ajala, o moldador de nossas cabeças e Yemoja, a Mãe das cabeças. Um fio de uma só volta de Òsóòsì, representando a nação e um referente ao Òrìsà Patrono do Ilé Asè, aquele que vai representar sua família. Pode sim, haver uma variação de um Asè pra outro, porém não fugirá muito disso.
Mejelegun e Mokan devem ser usados por Ìyáwòs até segunda ordem, onde o mejelegun dirá qual seu Òrìsà. Não se deve fugir muito disso, um Ìyáwò deve ser identificado, os adeptos precisam e merecem saber quem é quem, não se preocupem em ficar bonitos para os Òrìsàs, devemos nos preocupar sim, em ficar de acordo com o que nossos ancestrais deixaram de ensinamentos pra gente, desta forma estaremos agradando muito mais! Se não for assim, não faz sentido, uma vez que o candomblé é a conservação e preservação da ancestralidade.
Egbon com 7 anos arriados são os que podem utilizar segis, lagdiba, âmbar, terra cota, entre outros. Não cabe a quem tem menos do que seus 7 anos ou direitos tomados usar este tipo de fios, e ainda assim é necessário se informar, pois determinados fios só podem ser usados por pessoas de determinados Òrìsàs ou famílias. É muito importante se tomar cuidado para não expor a si mesmo ao ridículo. Além disso tudo, é importante que se haja respeito ao próximo, se fulano usa tal fio e sabe-se que seu Bàbá ou Ìyálòrìsà o autorizou, devemos respeitar. E aos Bàbás e Ìyálòrìsàs, o que resta dizer é, vamos estar atentos a isso, não vamos deixar a tradição se perder. O resgate ao candomblé está nas mãos dos Senhores e Senhoras também.
Um outro detalhe não menos importante, todos os fios devem ser devidamente entregues com atos a serem feitos, não devem ser usados ou comprados à revelia. Fios devem ser lavados, fios devem ser fechados, rezados e entregues pelos responsáveis do seu Asè. Podemos sim ser presenteados, podemos sim comprar fios, mas eles devem passar por preceitos. Um fio além de trazer uma identidade, nos traz proteção, e pra isso é preciso os preceitos cabíveis, ou qualquer que seja o encantamento deixa de fazer sentido.
Fio de contas é coisa séria, fio de contas não é bijouteria que colocamos no pescoço apenas para ficarmos mais bonitos e vistosos! Não esqueçamos nunca que o foco de nosso Candomblé são os Òrìsàs, que nos arrumamos para eles, para cultuá-los.

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IDOBALE

Sabemos que Idobale é o ato de se curvar e deitar nosso corpo no chão para reverenciarmos um Òrìsà, que é representada por uma pessoa a qual foi escolhida para determinada função de suma importância no âmbito da casa de candomblé ou em exclusividade a nós mesmos, ou por algum símbolo como Igbá, Centro do Asè, entre outros.
O que é muito importante dizer é que, o Idobale não é um ato de submissão e sim de respeito, é uma saudação para quem se conhece como parte de algo maior que si, um ato onde vamos de encontro a nossas origens, pois todos fomos feitos do barro primordial e os quatro principais elementos estão em nós (água, terra, ar e fogo). É ir de encontro com a Mãe Terra, em contato com o solo sagrado. Praticar o ato de Idobale não é humilhação, e sim um respeito ao sagrado, um respeito ao que somos, às nossas origens, um ato de humildade e reconhecimento. Não praticar ou não aceitar este ato, é o mesmo que ter intolerância religiosa dentro da própria religião, praticamente um tiro no pé.
É preciso saber a religião que estamos, o que somos e por que fazemos. Precisamos conhecer os sentidos de nossa religião para praticá-la. Nos tempos antigos, onde a religião era praticada entre os familiares, as crianças já cresciam com estes ensinamentos em seu cotidiano, o fazer e o saber andavam juntos, fazia parte da natureza delas, então não se fazia necessário as explicações, os porquês! Hoje é de suma importância sabermos o que representam os atos, é preciso explicar, hoje não é mais assim. Hoje acolhemos povos de diversos outros costumes e culturas. Temos que acolher, explicar, orientar, para assim evitarmos as distorções.
O Idobale vai muito além de apenas tomar a benção de uma pessoa ou de um objeto sagrado. É um ato em que trocamos energia, um ato de doação e captação. Aquele escolhido por algum motivo para nos abençoar tem a força necessária para que seus bons votos façam valer. Cada vez que nos abaixamos para um Idobale, estamos captando e recebendo energia, muitas vezes nem da pessoa e sim do Òrìsà da pessoa e até do Òrìsà que a escolheu.
Dar Idobale é um ato que deve ser naturalmente de dentro pra fora, é agir com o corpo, com a atitude e com a mente em perfeita harmonia e respeito ao sagrado.

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