Surge o candomblé, o culto que reúne todos orisás em um mesmo espaço, com a criação do que conhecemos hoje como xirê

Houve uma primeira tradição na história do candomblé brasileiro, que foi criado pelos congos e pelos angolas, misturados com os indígenas. A próxima leva de escravos africanos que vêm são os jejes. Eles são muito importantes, numericamente, no século XIX. Eles já encontram uma tradição organizada, herdam vários elementos, mas trazem muitos recursos importantes da própria tradição jeje e criam uma segunda tradição aqui.
Ainda há um terceiro momento, dos nagôs e iorubás, que são os últimos a chegar, mas vêm com tradições poderosíssimas, que trazem muitas novidades também, mas que absorvem essa terminologia, essa organização espacial, tanto é que dentro do candomblé de ketu existem vários termos de Angola e do jeje, que foram absorvidos. Ou seja, o candomblé de ketu nagô trouxe tradições que influenciaram todos os demais, mas, por sua vez, eles também absorveram tradições que já estavam instaladas aqui”.
“O acontecimento mais impressionante ocorre a partir da década de 1830, quando Oyó, o império iorubá mais desenvolvido e poderoso, sofre um ataque dos fundamentalistas islâmicos pelo Norte e tem sua capital devastada. Há uma migração para o Sul e eles fundam uma nova capital, mais próxima ao litoral. Nesta época, já existia uma comunidade nagô iorubá muito importante na Bahia. Por isso, eles mandam pessoas do primeiro escalão do império de Oyó para reorganizar, ao mesmo tempo, a comunidade baiana.
É nesse momento que Mãe Nassô chega em Salvador e funda a Casa Branca do Engenho Velho, munida com a tarefa de reestruturar aquele conjunto de cultos dispersos que eram realizados na Barroquinha. Na Casa Branca se dá a criação do xirê de todos os orixás do país iorubá, com a ordem de entrada, do círculo de dança sagrada e também da organização da sociedade civil aqui com a distribuição de cargos”.
Além de se misturarem entre si, as tradições africanas também receberam influências das culturas indígena e portuguesa. Este cruzamento é a base da criação de religiões como a umbanda, o catimbó e a jurema nordestina.

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